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No Batalhão da Saudade, encontro de ex-soldados limeirenses
Roxane Regly 
Ainda relembrando o lema “a guarda morre mas não se rende”, um grupo de ex-soldados do Exército Brasileiro se reúne anualmente em Brasília (DF), para um encontro de amigos. Eles são “granadeiros” que serviram por um ano – de julho de 1964 a julho de 1965. O “Batalhão da Saudade”, como hoje são chamados, se reunirá este ano em 29 de junho.
Em Limeira há ex-soldados que participam do encontro. Um deles é Dirceu Silveira de Araújo, aposentado, de 66 anos. Ele marca presença anualmente nos encontros. A data é escolhida de acordo com a sexta-feira mais próxima ao dia 24 de junho, data da fundação da pedra fundamental do quartel do Batalhão da Guarda Presidencial, da qual faziam parte. O aniversário do quartel é em 20 de julho, também próximo à data. A função da Guarda da Presidência da República é zelar pelas instalações públicas do Governo, bem como guardar a presidência e honrar o presidente. Há mais encontros realizados em outras épocas do ano, como em março, que as celebrações vão para as cidades do interior do Estado de São Paulo. Este ano foi em Araçatuba. Em 2013, o encontro será em Sertãozinho e pode vir para Limeira em 2014.

MEMÓRIA
Para Dirceu, o reencontro representa o espírito de camaradagem e cortesia ao longo dos anos. “É o que temos de melhor na nossa memória”, disse o aposentado, ex-granadeiro da turma de 64. “A amizade dentro de um quartel é muito mais forte que em outros lugares, como em uma faculdade, que após quatro anos muitos nem se cumprimentam mais. Nós convivemos de maneira muito intensa e isso nos uniu”, relatou. “É uma amizade de 48 anos, sincera e desinteressada”, comentou.
Segundo Araújo, o encontro costuma reunir em Brasília cerca de 300 pessoas. As reuniões começaram em 2000. Dentre eles, há aqueles que seguiram carreira militar, como sargentos, capitães, generais e coronéis. Outros, voltaram para suas cidades de origem e seguiram outras carreiras após o serviço militar. “Mas o tratamento é muito igualitário, conversamos e nos divertimos juntos nesses dois dias.” Durante o encontro, um tradicional desfile é realizado pelos ex-soldados do Batalhão. Todos utilizam terno para a apresentação em frente ao quartel.
CONVITES

O Batalhão da Saudade convida anualmente seus integrantes com cartas reproduzidas em papéis timbrados e envelopes personalizados com um logo próprio. Muitos já morreram, já que eles têm hoje pelo menos 66 anos de idade. Mas ano a ano eles seguem relembrando os momentos que passaram juntos durante o período de serviço ao Exército. “Todo o tempo falamos de assuntos relacionados ao nosso período de convivência, nos tornamos grandes amigos, hoje já com cabelos brancos, alguns nem estão mais presentes, mas mantemos o companheirismo e cumplicidade.”
A comunicação continua durante o ano. “Trocamos e-mails, dividimos expectativas e se um não aparece no encontro, logo procuramos saber o que aconteceu”, contou. Dirceu comemora o reencontro com Fernando Cardoso, hoje general do exército. Em uma foto, ele, o general e Luiz Carlos Basso eternizam o momento. Outro evento que Dirceu tem participado a cada biênio é a troca de comando da Guarda. “É um evento muito bonito. Tenho prestigiado todos os anos e é mais uma oportunidade de encontrar velhos conhecidos”, contou.
GOLPE MILITAR
Apesar de 64 ser o ano do Golpe Militar, quando encerrou o governo de João Goulart, o Jango, e começou o governo dos militares, que durou até 1985, a turma do Batalhão da Saudade não participou da revolução, pois chegaram a Brasília por volta de julho. Os eventos da revolução começaram dia 31 de março e resultaram no golpe em 1º de abril daquele ano. Entretanto, foi este grupo que viveu sob o comando do novo regime até a volta para suas cidades de origem. “Fomos a turma mais exigida, vivíamos constantemente em prontidão”, observou.
A entrada de Dirceu no Batalhão aconteceu após se alistar para o serviço militar obrigatório. “Aqueles que estavam aptos, foram enviados para Brasília para servir o Exército naquele ano”, explicou. Mais de 60 soldados de Limeira também foram. O aposentado gostaria de ter seguido na carreira militar, mas, à época, foi impedido pela mãe de continuar. “Dessa maneira retornei e continuei trabalhando como bancário”, contou. Mas hoje, o contato com os ex-soldados já o contenta. “Somos como uma família, é muito prazeroso encontrar verdadeiros amigos”, finalizou.
Jornal de Limeira/montedo.com
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