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Brasil defende fundo para conter golpe na Guiné-Bissau

O Brasil está participando da negociação para criar um fundo internacional de US$ 45 milhões (R$ 84 milhões) para pagar aposentadorias aos militares da Guiné-Bissau e assim convencê-los a depor as armas e restabelecer a democracia no país.

Há uma semana, o Exército local tomou a capital e prendeu o premiê Carlos Gomes Júnior e o presidente interino Raimundo Pereira.
Gomes era o favorito para vencer as eleições presidenciais marcadas para o próximo dia 29 de abril.
A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) tenta resolver pacificamente o impasse.
A estratégia do bloco é pressionar os militares golpistas com sanções em organismos internacionais e ao mesmo tempo oferecer ajuda financeira por meio do fundo.
Segundo o embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, subsecretário-geral para África e Oriente Médio do Itamaraty, o dinheiro será administrado pelas Nações Unidas.
Ele deve sustentar a aposentadoria de até 5 mil militares assim que eles concordarem em se desmobilizar.
“O fundo ainda não existe, mas muitos países já se disseram dispostos a participar. O investimento inicial será de US$ 15 milhões [R$ 28 milhões]”, afirmou.
PRESSÃO INTERNACIONAL
Para forçar os militares golpistas a aceitarem o acordo, a União Econômica e Monetária do Oeste Africano (Ecowas, na sigla em inglês) já congelou as operações financeiras da Guiné-Bissau no bloco.
Em outras frentes, o Banco Mundial e o Banco do Desenvolvimento Africano suspenderam nesta quinta-feira os programas de fomento. As duas instituições disseram que apenas os programas emergenciais estão mantidos, e deixaram claro o desejo de “uma rápida resolução para a crise”.
Já o Brasil e os demais países da CPLP trabalham para que o Conselho de Segurança da ONU analise o assunto ainda nesta quinta-feira e aprove uma declaração presidencial condenando o golpe.
Se a declaração não gerar resultado, em uma segunda fase o Conselho de Segurança pode aumentar a pressão aprovando uma advertência formal aos golpistas.
O passo seguinte seria a votação do envio ao país de uma força militar da ONU de imposição de paz, mas essa hipótese permanece remota.
Na quarta-feira, a junta militar golpista dissolveu formalmente o governo e anunciou que eleições presidenciais acontecerão apenas daqui a dois anos.
O premiê e o presidente do país continuam reféns. Suas condições de saúde -ambos são diabéticos e tomam insulina- são monitoradas por representantes da Cruz Vermelha Internacional.
BASES MILITARES
A presidente Dilma Rousseff determinou ao Itamaraty que participe ativamente das negociações e atue para apaziguar ânimos dos militares da junta e dos governos vizinhos.
A ação se insere na política iniciada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar a influência do Brasil na África, especialmente nos países de língua portuguesa.
Há dois anos, o governo brasileiro começou a planejar em parceria com Angola a instalação de duas bases militares em Guiné-Bissau para profissionalizar o Exército local.
Angola seria a responsável por treinar praças de patentes mais baixas e o Brasil formaria os oficiais de uma nova geração das Forças Armadas de Guiné-Bissau.
A reforma da futura instalação brasileira já havia sido planejada e um currículo elaborado. Porém, a iniciativa ficará parada até a resolução do atual impasse político.
Entre os objetivos indiretos da profissionalização dos militares estão uma tentativa de diminuir a incidência de golpes de Estado no país e de combater a ação de traficantes de drogas internacionais.
Nos últimos dois anos Guiné-Bissau já havia sofrido duas tentativas de golpe. O país é considerado hoje um grande entreposto da rota de tráfico de cocaína da América Latina para a Europa.
Segundo analistas, o dinheiro do narcotráfico seria usado inclusive para financiar grupos extremistas que atuam na África e no Oriente Médio.
Jornal de Floripa/montedo.com
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