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Com olfato apurado, cães farejadores são essenciais ao Exército
Cristiane Sabadin
Trabalho feito,Hamter brinca com sua recompensa:a bolinha de tênis.
Hamter. Esse é o nome do mais novo integrante do 16º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado de Francisco Beltrão. O cão farejador, um pastor alemão que faz parte do efetivo da 5ª Companhia de Polícia do Exército de Curitiba, veio à cidade participar das operações em busca do fuzil roubado e de drogas. Assim que os trabalhos encerrarem, ele volta para a capital do Estado. O cão nem bem chegou e já despertou o interesse dos demais recrutas e da população que vem acompanhando o patrulhamento dos oficiais pelas ruas da cidade.
O cão é extremamente dócil, contudo, parece saber a que veio. Não é do tipo que brinca em serviço e nasceu para ser um cão policial. Mais ainda: um cão farejador. É o que garante o Capitão Machado, veterinário e chefe da seção de cães de guerra da 5ª Cia. Apaixonado por cachorros de grande porte e experiente na profissão, Machado tem a missão de treinar os melhores animais do Exército.
Segundo o policial, um cão farejador já nasce praticamente pronto, isso porque qualquer animal tem a percepção olfativa aguçada — é questão fisiológica. No entanto, para se formar um excelente exemplar é preciso treinamento. Para começar, é necessário entender os impulsos de cada raça ou drives que levam os cães a serem melhores caçadores ou de guarda, por exemplo. Capitão Machado diz que há cinco drives padrões: obediência, ataque, defesa, caça e mudança de conduta. O trabalho inicia, então, com a seleção dos animais e posterior treinamento. “Um cão só poderá entrar para o Exército se tiver os seguintes requisitos: raça pura (pedigree), aprumos perfeitos, vigor físico, disposição e passar no exame de displasia. Aí, o cão está apto a trabalhar.”
O treinamento de cães farejadores
Para começar o trabalho, Hamter coloca o peitoral e visualiza a bolinha na mão do veterinário.
A ideia parte do princípio de qualquer adestramento básico: o cão precisa brincar. Ele é motivado a participar das atividades por meio de brincadeiras. No caso de Hamter, o objetivo escolhido foi a bolinha de tênis. É com este instrumento que o animal treina e se capacita para ser um cão policial.
De acordo com Machado, o treinamento inicia ainda na fase de filhote, com motivação. Depois, com dois meses, “começamos a aguçar a capacidade olfativa do cão”. Um dos treinos é jogar a ração pelo chão, “obrigando-o” a procurar sua comida. “É um bom exercício para o faro.” Já com oito meses e um ano, o cão passa por um adestramento de obediência. Nesse estágio, o animal fica preparado para receber o controle do dono. A partir de um ano é que se introduz o brinquedo no treinamento: a tão desejada bolinha de tênis.
Com Hamter e a maioria dos cães farejadores o esquema funciona assim: os veterinários escondem a bolinha em pequenos caixotes de madeira. Primeiro em sequência, depois vão alternando, mas a ideia é sempre a de encontrar o objetivo de desejo, neste caso, a bolinha de tênis.
Segundo o capitão, a grande dificuldade do treinamento é fazer o cão entender o que o ser humano quer com seu trabalho. Ou seja, o animal quer a bolinha, mas a polícia quer as drogas e explosivos que estão escondidos. É a partir dessa fase que o animal inicia o treinamento com as substâncias ilícitas, sentindo o odor; apenas isso. O veterinário afirma que cães farejadores jamais experimentam as drogas, o que eles fazem é apenas reconhecer o cheiro. Sendo assim, não se tornam viciados, “isso é mito”.
No treino, o primeiro odor apresentado é o da maconha, depois vêm a cocaína e o crack. A ideia é a mesma: dentro dos caixotes de madeira, junto com a bolinha, o oficial esconde a droga. O cão vai procurar seu brinquedo tão querido e acaba descobrindo outro cheiro. Aos poucos, a bolinha sai de cena e fica apenas a substância. O cão encontra. “Quando o animal está apto, deixamos os caixotes de lado e escondemos a droga atrás de estantes, em gavetas e até no forro do teto. O animal não para até descobrir o objeto”, explica.
Numa cena de crime, a perícia entra primeiro, seguida dos cães farejadores, para então chegar a polícia. Esse é o método ideal, comenta Machado.
Hora do trabalho
O cão trabalha sempre em busca de sua recompensa. Por isso, a preparação antes de uma operação começa com a apresentação do brinquedo. “Hamter vê a bolinha de tênis e já sabe que é hora de trabalhar. Depois, coloco seu peitoral e ele fica pronto para a missão.” Para não estressar os animais, Machado diz que faz manutenções apenas duas vezes por semana; dependendo do cão, uma. “Fazemos isso para ele não perder o contato com o cheiro, mas sem exagerar, afinal, ele já aprendeu a lição”, ressalta.
Fora os treinos, o cão precisa manter o condicionamento físico. Isso inclui aulas de natação e alimentação de qualidade. Os animais do Exército consomem rações Super Premium.
Jornal de Beltrão/montedo.com
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