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Exército atuou na operação para resgate de militares em poder da guerrilha. 
Helicóptero esperou por 4 horas na mata até entrega de reféns, diz coronel.

Boris Heger/Cruz Vermelha
Um dos reféns libertados na segunda-feira (2) pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e conduzido em um helicóptero do Exército brasileiro para o aeroporto de Villavicencio, na Colômbia, entregou ao piloto brasileiro que lhe tirou da mata a folha de uma árvore em que escreveu um agradecimento.
O texto, em espanhol, diz: “Não há nada tão maravilhoso que a realização deste sonho. Liberdade Amada. Obrigada pela sua ajuda”. A lembrança foi entregue pelo sargento do Exército colombiano Luis Alfredo Moreno Chagüeza, sequestrado pelos guerrilheiros em agosto de 1988, durante um ataque a uma base policial e um batalhão militar em Miraflores, no departamento do Guaviare, segundo a Cruz Vermelha Internacional.
O coronel Jorge Fossi, do Centro de Comunicação do Exército que acompanha a ação em Manaus, confirmou que a folha foi entregue a um major que é o piloto do Cougar que fez o resgate.
Durante a “Operação Liberdade”, realizada na segunda-feira pelo Exército brasileiro em apoio à Cruz Vermelha, as Farc libertaram 10 integrantes da polícia e das Forças Armadas colombianas, os últimos reféns militares em poder da guerrilha que ainda manteria centenas de civis em cativeiro. Vinte militares brasileiros participaram da ação.
4 horas no território das Farc
Segundo o Exército brasileiro, os reféns foram libertados em um ponto no meio da selva colombiana.
Dois helicópteros Cougar do 4º Batalhão de Aviação do Exército (Bavex) partiram de Manaus no domingo (1), em direção à base de Villavicencio, onde aguardaram a chegada de representantes da Cruz Vermelha e da ex-senadora Piedad Córdoba, presidente da ONG Colombianos pela Paz, para o deslocamento até os pontos que haviam sido entregues à ela pelas Farc onde os reféns seriam libertados.
O Cougar fez a decolagem em direção à mata às 10h25 da manhã de segunda-feira no horário local (12h25, no horário de Brasília), levando no total 10 pessoas a bordo. Além de seis militares brasileiros – piloto e copiloto, dois mecânico e um operador de rádio e um médico –, estavam também na aeronave Piedad e outra pessoa integrante da ONG, e dois integrantes da Cruz Vermelha.
O pouso nas coordenadas informadas por Piedad ocorreu por volta das 11h40 no horário local.
O tempo de espera previsto para que o helicóptero brasileiro ficasse no território das Farc era de apenas 15 minutos, mas os guerrilheiros demoraram mais de 4 horas para entregar os reféns. Neste período, os militares brasileiros – que não estão armados – tiveram que cortar o motor da aeronave e aguardar, informou o coronel Jorge Fossi.
Os reféns que seriam libertados chegaram ao local onde o helicóptero estava aos gritos, chorando, e carregando fotos de familiares em mãos, segundo relatos dos integrantes da Cruz Vermelha que estavam a bordo. Eles pegaram duas embarcações voadeiras e tiveram que fazer uma caminhada da área em que eram mantidos reféns até o local onde o helicóptero brasileiro os esperava.
O helicóptero, que deveria retornar à base colombiana antes do anoitecer, decolou da comunidade indígena onde o resgate ocorreu às 16h10 (horário local) pousou base militar de Villavicencio às 17h40 no horário local (19h40 no horário de Brasília) com os dez reféns.
Esta é a quarta vez que o Brasil participa de forma humanitária na libertação de reféns em poder das Farc com a cessão de helicópteros e da tripulação para o resgate. Os Cougar do Exército retornam a São Gabriel da Cachoeira (AM) na quarta-feira (4), onde serão reabastecidos, e seguem para a base em Manaus na quinta-feira (5).
Cenário MT/montedo.com
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