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Por ordem de general, sindicância apura exigência de ‘enxoval’ no IME

Antônio Werneck ([email protected]
O comando do Instituto Militar de Engenharia (IME), na Urca, já está investigando as circunstâncias da exigência da compra de itens de uma lista – de roupas para atividades físicas a material de consumo, incluindo até papel higiênico – feita aos recrutas encaminhados à instituição. A sindicância foi aberta por determinação do general Adriano Pereira Junior, comandante Militar do Leste (CML).
– Pedi para que fosse aberta uma sindicância porque alguém pode ter falhado ao exigir os itens. A exigência de papel higiênico, por exemplo, é absurda. Então pedi para apurar e, se for o caso, encontrar o responsável. Não há falta de recursos – afirmou o general em entrevista ao GLOBO, na quarta-feira, em seu gabinete.
“Vamos verificar se alguém falhou”, diz general
O general Adriano, responsável pela região do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, disse que os candidatos foram apenas orientados a levar vestimentas mais apropriadas à seleção, como calção e tênis, para que pudessem ser usadas em exercícios. Nessa fase, os candidatos cumprem expediente, fazem pequenos testes e retornam para casa.
– Nessa primeira semana, os candidatos são orientados a trazer de casa um short, uma camiseta e tênis para os exercícios e testes que fazemos. Nós só podemos fornecer o “enxoval” completo quando ele é aprovado. Por isso determinei a sindicância: agora vamos verificar se alguém falhou ou é um balão, uma história inventada – afirmou o general Adriano.
Segundo o comandante Militar do Leste, a sindicância foi aberta para verificar e saber exatamente o que aconteceu.
– Não existe essa obrigatoriedade. Nunca existiu na história do serviço militar. Se existiu, é falha de uma pessoa que tomou uma iniciativa descabida. Então estamos apurando todas as circunstâncias – garantiu.


Ministério Público
O assunto também está sendo investigado pelo Ministério Público Militar do Rio. A decisão foi tomada em Brasília pela procuradora-geral Cláudia Márcia Ramalho Moreira Luz, da Justiça Militar. Em despacho, ela designou o promotor Aílton José da Silva, da Justiça Militar no Rio, para apurar as denúncias e tomar as medidas cabíveis.

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As investigações foram motivadas por reportagens do GLOBO publicadas desde terça-feira. Oficialmente, o Ministério da Defesa diz que tais exigências não são cabíveis, e que, somente este ano, o orçamento do Fundo do Serviço Militar dispõe de R$ 7,3 milhões. Além disso, há outros recursos do Exército destinados às atividades relacionadas ao alistamento obrigatório. Como a administração dos recursos é descentralizada, no IME – uma das mais conceituadas instituições de ensino do país – foi exigida dos candidatos a compra de shorts verdes ou pretos, camisetas brancas, tênis preto e meias, sunga e chinelos, além de pratos, talheres e copos descartáveis, sabonetes e papel higiênico.
As denúncias de cobrança indevida foram feitas nas imediações da Vila Militar, em Deodoro, pouco antes da cerimônia de ingresso do grupo nas Forças Armadas. Alguns recrutas contaram ter estranhado o pedido inusitado. Mas a maioria não quis se identificar, para não sofrer represálias dentro do quartel.
Em nota enviada ao GLOBO na terça, o CML reafirmou que os candidatos foram apenas orientados a levar vestimentas mais apropriadas à seleção, como calção e tênis. Não é o que dizem os parentes dos recrutas, que mostraram a detalhada lista passada pelo Exército.
Agência O Globo/montedo.com


Comento:
Um general de quatro estrelas vir à público dar explicações e mandar abrir sindicância sobre enxoval de recrutas de uma simples companhia auxiliar é,no mínimo, um fato estranho. Parece mais um caso em que a mídia consegue pautar os altos coturnos.
O IME é comandando por um general de brigada. Será que não poderia ser a ele delegada a função de dar as explicações necessárias e tomar as medidas cabíveis? A atitude do comandante do CML retira autoridade de um oficial general sem necessidade, com o objetivo principal, ao que parece, de dar satisfações à imprensa.
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