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Gélio Fregapani
O diretor-geral do Dnit, general Jorge Fraxe, declarou guerra ao aparelhamento político responsável pela conservação das estradas, que se sabe, é eivado de corrupção. Determinou que todos os cargos de confiança devem ser preenchidos por funcionários de carreira. Com sua decisão, retira cerca de 100 cargos comissionados dos partidos da base aliada, incluindo 26 superintendentes regionais, com salários acima de R$ 20 mil. Nos meios políticos, o clima naturalmente é de indignação.
A pressão política para a retirada do general certamente será avassaladora. Temem que a ideia do general Fraxe seja estendida aos demais órgãos do governo. Um indício que este seja o plano é a futura presidente da Petrobras, Graça Foster, ter entrado em alguns gabinetes do Senado Federal para avisar que deveria trocar diretores. Atualmente o PT, PMDB e PTB dominam feudos dentro da estatal, com indicações de diretores e subsidiárias. Foster teve que pisar em ovos.
Nessa queda de braço veremos a força ou a fraqueza da presidente; sabemos onde está o coração dela, mas se mantiver o rumo terá muito a perder políticamente. Ainda que ganhe moralmente seu mandato estará na corda bamba.
Sejamos realistas. A “base aliada” da presidente e até seu próprio partido já estavam esperando uma oportunidade para dar-lhe uma rasteira. Pior agora, se ameaçar desmanchar os feudos. Da oposição, igualmente corrupta e sectária, nada a esperar.
Certamente as medidas presidenciais obterão um amplo apoio popular, mas ainda que esse apoio possa influenciar o desencadeamento de movimentos, ele por si não garante ninguém contra a classe política, que jamais perdoará a quem prejudicar a sua “boquinha”. Com o inútil judiciário, ninguém poderá contar, a não ser certos bandidos.

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O exemplo do general

Restará talvez à Dilma o aval das Forças Armadas, mas isto não se consegue automaticamente. É claro que o “amplo apoio popular” facilita as coisas, mas existem velhas cicatrizes que a ministra dos Direitos Humanos e outros radicais (de ambos os lados) insistem em manter abertas.
É certo que o aval das Forças Armadas passará pela correção dos soldos e pelo reequipamento bélico, mas só isto não é suficiente. Os verdadeiros valores dos militares são mais elevados – se referem ao bem da Pátria. Dilma não conquistará os militares só com benesses. Ela necessitará reunir-se com eles expor seus planos de governo, mostrar que é isto que o Brasil precisa e os óbices a serem ultrapassados. Enfim, falar-lhes como chefe ao dar uma ordem de operações: para quem não sabe, é dizer primeiro qual a nossa missão e o porquê; segue-se a estratégia pretendida, as possibilidades do “opositor”, a tarefa de cada um e os meios a disposição. Esta é a liguagem que o s militares entendem. Assim pode se lhes pedir qualquer sacrifício. Até o impossível.
Este ano em que nuvens negras ameaçam descer sobre a terra e que as necessidades e ambições hegemônicas de um modo ou outro envolverão a nossa Pátria, nacessitaremos mais do que nunca de um chefe de coragem. E essa coragem tem que começar em casa.
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