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Para conquistar ‘corações e mentes’, Exército faz Natal no Alemão ocupado
Seguindo doutrina de “operações psicológicas”, ações sociais pretendem conquistar simpatia e diminuir resistência da população, tática bem-sucedida no Haiti
Raphael Gomide
Foto: Agência O Globo
Após o combate, militares do Exército usam bonés azuis representando a paz e fazem operações psicológicas para conquistar “corações e mentes” no Alemão
O Exército vai promover, neste sábado, uma festa de Natal no Complexo do Alemão e da Penha, com shows, distribuição de brinquedos e lanches. Entretanto, bem além do gesto de simpatia e das boas intenções, a celebração têm um objetivo militar estratégico determinado: “conquistar corações e mentes” da população.
Seguindo a doutrina de operações psicológicas, com ações de “propaganda” desse tipo, os militares pretendem projetar uma imagem positiva da força e ganhar a confiança dos moradores. A meta é se aproximar da comunidade, criar vínculos e diminuir a resistência à atuação da força de segurança, com vistas a facilitar a operação diária no lugar e abrir canal de informações e denúncias contra criminosos.
O termo “corações e mentes” se notabilizou com o discurso de posse do presidente norte-americano John F. Kennedy, em 1961, quando afirmou que “a paz está nos corações e mentes de todos” e, portanto, é necessário “lutar para construir a paz” e “um desejo pela paz”.
O termo foi apropriado pela doutrina de operações psicológicas e, desde então, palavras e prática de ações sociais vêm sendo usados por exércitos em guerras pelo mundo afora – mais recentemente, no Afeganistão e no Iraque – com o objetivo de ganhar o apoio da população local, além da guerra da comunicação e da “opinião pública”.
Na Penha e no Alemão, haverá shows natalinos, com apresentação de artistas e recreadores infantis. Os militares vão distribuir brinquedos, recreação e entretenimento com brinquedos, demonstração de cães e cavalos e apresentação das bandas de música. Haverá atividades para as crianças, como “soldado por um dia”. Os moradores poderão fazer lanches, com sanduíches, refrigerante, suco e água.
Exército teve sucesso com ações do gênero no Haiti
Esse tipo de atividade, também conhecido pelo jargão militar como Aciso (Ação cívico-social), vem tendo sucesso e resultado positivo no Haiti, onde o Brasil detém o comando das tropas de Paz da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti).
Lá, as tropas brasileiras promovem festas e shows infantis de militares – com fantasias de “Robocop”, palhaço e jacaré –, jogos de futebol, capoeira, cursos de idiomas, além de atendimentos de saúde aos haitianos, por exemplo. Militares estrangeiros frequentemente procuram os brasileiros em busca desse “know-how”.
Pela relevância do tema, o Exército mantém no Haiti um destacamento de Operações Psicológicas, especializado nesse tipo de ação, com o objetivo de conquistar os “corações e mentes” da população local.
A Força também ministra um curso específico de Operações Psicológicas, com duração de 16 semanas, para oficiais e praças, no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOEsp).
Localizado em Niterói (RJ), o centro abriga, além do curso de Operações Psicológicas, os mais exigentes treinamentos das unidades de elite do Exército: os cursos de “Ações de Comandos” e de “Forças Especiais” – semelhantes ao do Bope.
Procurado para se manifestar sobre a reportagem, o Centro de Comunicação Social do Comando Militar do Leste (CML) não respondeu as perguntas enviadas pelo iG.
iG/montedo.com
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