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A atuação dos militares federais no combate a criminalidade no Rio de Janeiro tem mudado a rotina dos quartéis. A marinha, força mais tradicional, deixou de exigir dos seus militares o traje “Sport semi-fino”, que obrigava todos a irem para o quartel de sapatos, cinto e camisa com gola, facilitando a identificação por indivíduos mal intencionados. A presença das tropas tem também refletido em outros cuidados pessoais, como não portar a identidade militar, não usar camisas com símbolos de quartéis e retirar os adesivos dos automóveis.
Mesmo diante da nova situação operacional dos militares federais, temos notícias de dificuldades que existem para um sargento ou um cabo das Forças Armadas obter um porte de arma. É necessário que a administração militar reflita sobre isso, afinal, se agora militares das FAs são profissionais da segurança pública tem que zelar também pela integridade de suas famílias.
Pouco mais de duas semanas depois do primeiro soldado ter sido ferido por um tiro no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, o Exército ocupou por tempo indeterminado as áreas consideradas críticas do conjunto de favelas com 600 homens do 26ª Batalhão de Infantaria Paraquedista, a mais especializada unidade de pronto emprego do Exército.
A Força de Pacificação já conta com 2.500 militares ocupando os conjuntos de favelas do Alemão e da Penha. Segundo militares, foi uma demonstração de força, já que o tráfico vem se tornando mais explícito na região.
Um homem que fumava maconha foi preso logo nas primeiras horas de ocupação. Hoje, a tropa acampou na Serra da Misericórdia e traficantes informavam aos comparsas, por rádio transmissor, toda a movimentação dos paraquedistas. Os diálogos eram monitorados pelo Exército. A Força de Pacificação aposta no poder de dissuasão dos “boinas vermelhas”, que participaram da ocupação dos conjuntos de favelas e são temidos pelos traficantes.
Desde a ocupação militar, os traficantes montam bocas de fumo itinerantes no conjunto de favelas e voltaram a usar a Serra da Misericórdia como rota de fuga para a mata. “É uma questão tática. Buscamos dominar as áreas mais altas dos ambientes operacionais. Nos casos dos complexos da Penha e do Alemão, esta região é a Serra da Misericórdia. Ademais, a região é emblemática pelo aspecto psicológico, por se tratar da região para onde os criminosos fugiram na primeira investida sobre a Penha (Vila Cruzeiro)”, explicou o comandante da Força de Pacificação, o general de Brigada Otávio Santana do Rêgo Barros.
Oficialmente, o Exército afirma que o reforço no efetivo vai “auxiliar o momento de paz e aumentar a sensação de segurança”. No entanto, a tropa sofre desgaste. Os moradores reclamam dos atrasos nas obras de saneamento do Governo Federal, da péssima coleta de lixo da Prefeitura e da falta de fiscalização do Estado sobre a ausência das concessionárias, que sumiram algum tempo após a ocupação.
Como o Exército é a única referência de Poder Público no complexo, os oficiais muitas vezes fazem pedidos aos secretários estaduais e municipais, mas raramente são atendidos.
Em recente audiência pública, líderes comunitários do Alemão questionaram a decisão do Governo do Estado de priorizar a construção do teleférico e chegaram a dizer que os programas sociais do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) eram “uma farsa”. Somado ao desgaste político, o Exército acumula problemas com moradores, que, muitas vezes, terminam em prisões por desacato. Antes de a ocupação completar um ano, os tiroteios voltaram ao Alemão. No dia 6 setembro, uma patrulha do Exército foi atacado a tiros e soldados ficaram encurralados pelos traficantes, que ocuparam a parte alta do Morro do Adeus. Ninguém ficou ferido.
Dez dias depois, militares se envolveram em um tiroteio na Vila Cruzeiro, na Penha, que terminou com uma menina de 7 anos ferida por estilhaços. No dia 24 de novembro, o soldado Leandro Eduardo dos Santos, da 4ª Companhia de Polícia de Exército de Belo Horizonte-MG, foi atingido no antebraço direito por um disparo de arma de fogo. Desde a ocupação, o Exército registrou duas mortes de soldados por disparos acidentais
A partir de hoje, além da tropa normal de pacificação do Exército, uma brigada de 600 soldados paraquedistas reforça a partir de hoje o Complexo do Alemão. Oficialmente o Exército diz que é para enfrentar “focos pontuais de tráfico armado”. Mas a realidade é muito pior do que está sendo passado para a população. O tráfico voltou a impor o terror e os recrutas não estão dando mais conta do recado. Sem programas sociais, apenas com investimentos de fachada, teleférico e cinema 3D, a esperança de paz dos moradores do Alemão está indo embora. Para vocês terem uma idéia, nos fins-de-semana, na Fazendinha, em Inhaúma, uma das comunidades do complexo, já são vista novamente filas de viciados esperando a vez para comprar drogas.
Uma coisa é certa, apesar da mídia continuar falando que o Alemão está pacificado, o Exército não deslocaria 600 soldados paraquedista para fazer turismo no complexo. É óbvio que a situação é muito grave.
Sociedade Militar/montedo.com
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