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Cinegrafista morto é homenageado em troca de comando no Alemão
Gelson Domingos morreu durante operação policial na Zona Oeste.
Comandante do CML ressaltou o trabalho da Justiça e também da imprensa.

Carolina Lauriano
Troca de comando no Alemão (Foto: Carolina Lauriano/G1)
O cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos da Silva, que morreu com um tiro no tórax durante a cobertura da operação policial no domingo (6), foi homenageado durante a troca de comando da Força de Pacificação do Conjunto de Favelas do Alemão e da Penha, ambas na Zona Norte do Rio de Janeiro. O comandante do Comando Militar do Leste (CML), general Adriano Pereira Júnio, ressaltou o trabalho da Justiça e também da imprensa no processo de pacificação.
“Ressalto também o trabalho da imprensa, que tem nos acompanhado e tem visto como nós trabalhamos, e tem divulgado aquilo que está acontecendo aqui. Imprensa essa que eu rendo a minha homenagem ao cinegrafista morto da Band, e esperamos que o nosso trabalho colabore para que fatos como esse não se repitam no estado do Rio nem no nosso país, em que profissionais exercendo a sua atividade percam a vida de forma brutal como foi o ocorrido ontem com o cinegrafista que eu conheci, tive a oportunidade de conversar com ele”, disse o general, durante seu discurso.
O cinegrafista morreu durante operação na Favela do Antares, na Zona Oeste do Rio, onde o patrulhamento está reforçado nesta segunda-feira (7). No domingo, a ação terminou com nove presos e cinco mortos. Gelson Domingos da Silva usava colete à prova de balas. O corpo do cinegrafista está sendo velado no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária, e será enterrado às 14h, no mesmo local.
O comandante da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro da costa Filho, também lamentou a morte do cinegrafista e afirmou que a PM pretende estabelecer critérios para as coberturas jornalísticas em operações policiais.
“A imprensa nunca foi convidada, mas só que o repórter que cobre a área policial é um policial. Infelizmente aconteceu isso com o nosso amigo. Mas nós vamos tentar reunir o sindicato dos cinegrafistas, de jornalistas, para conversar, para ter um critério até de segurança, que o policial quando falar com o repórter “daqui vocês não podem passar”, que eles possam obedecer”, disse.
Troca de comando
A substituição da tropa no Alemão faz parte do planejamento operacional do CML. Nesta segunda, assumiu a coordenação das ações de preservação da ordem pública na região a 4ª Brigada de Infantaria Motorizada de Juiz de Fora, em substituição à 9ª Brigada de Infantaria Motorizada. O general Otávio Santana Rêgo Barros entrou no lugar do general Cesar Leme Justo.
De acordo com o secretário interino de Segurança Pública, Edval Novaes, até junho de 2012 o Alemão terá uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). “Já temos nosso cronograma preparado, até junho nos teremos a Polícia Militar completamente dentro do Complexo do Alemão”, afirmou.
Em relação à região de Antares, onde houve o tiroteio que causou a morte do cinegrafista, o secretário interino não anunciou datas, mas disse que o local será pacificado.
“O governo do estado, a Secretaria de Segurança e a Polícia Militar lamentam o ocorrido. Planejamento há. Com relação à implantação de uma UPP, nós temos agido e não calado. O planejamento vem sendo seguido, aquela região está dentro do planejamento, mas não divulgaremos datas”, ressaltou ele.
Combate ao tráfico
No dia 24 de outubro, o governo renovou permanência dos 1,8 mil homens do Exército no Alemão por mais seis meses. Dois dias depois, o Exército divulgou imagens que mostravam suspeitos de tráfico de drogas agindo em lajes da comunidade. A partir desses registros e com autorização da Justiça, os militares revistaram residências suspeitas e localizaram fuzis escondidos. Em uma das casas, militares encontraram um buraco no chão, com armas e radiostransmissores. Um fuzil estava embalado.
O comandante do CML, entretanto, afirmou que a estratégia do Exército não sofrerá mudanças.
“Nossa estratégia é a mesma. Imagine se nós ficarmos trocando tiros aqui dentro, qual o risco que temos de efeito sobre a população inocente. Eles estão sendo presos, semanalmente tem apreensão de drogas aqui dentro. Na última semana fizemos uma apreensão de armas importante. Escaramuças estão sendo poucas e estão sendo reduzidas com a as ações. Mas nada impede que alguém venha da Maré e passe o dia aqui dentro, fazendo contatos e saia, ou de outra comunidade, do mesmo comando que dominava aqui. Mas nós estamos agindo sobre o gás, sobre a ‘gatonet’, o caça-níquel, então estamos fazendo uma atuação sobre tudo que é ilegal e que representa venda para o trafico. O tráfico esta incomodado com nossa presença”, disse.
O general assumiu que o processo de pacificação é difícil e ressaltou que a tropa fica em média 12 semanas, durante 24h do dia, dentro da comunidade. “Tem problema? Tem. Um ou outro soldado meu pode extrapolar, mas a fiscalização nossa é muito grande. E a nossa preocupação é primeiro a comunidade, segundo a comunidade e terceiro a comunidade. Se tiver que deixar um bandido fugir para não fazer um disparo, nós vamos deixar fugir e em uma outra hora a gente pega ele” disse o comandante do CML.
Segundo ele, essa é a quinta substituição da tropa e até junho eles pretendem fazer mais duas trocas de comando. O general lembrou que nesta segunda completam-se 311 dias de ocupação do Exército no Alemão.
G1
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