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Esposas de militares vão à Presidência negociar reajuste

Mulheres discutirão os soldos em audiência na Casa Civil. Pedem, pelo menos, 6,38%
MARCO AURÉLIO REIS
O movimento das esposas de militares das Forças Armadas vai discutir com a ministra da Casa Civil, Gleice Hoffman, perdas financeiras e reajuste dos soldos. A sinalização da audiência foi obtida ontem, durante rápido encontro da ministra com integrantes da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas Brasileiras (Unemfa).“Vamos discutir uma forma de efetivar a recuperação do poder de compra dos vencimentos de nossos maridos. Calculamos que nossas perdas atingem os 135%”, disse a O DIA a líder do movimento, Ivone Luzardo. “Buscamos alguma sinalização efetiva, nem que seja da reposição emergencial da inflação deste ano”, completou.

Segundo projeção feita pelo mercado financeiro, revelada segunda-feira no boletim Focus, do Banco Central (BC), a expectativa para a inflação oficial para este ano está em 6,38%, em um patamar distante do centro da meta governamental de inflação, de 4,5% e acima da projeção anterior, de 6,31%. A meta tem margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

“Não dá para dizer que não tem inflação”, afirmou Luzardo, destacando seu efeito sobre a remuneração. Para repô-la, o soldo mais alto das Forças Armadas, sem os adicionais, pago a almirante-de-esquadra (R$ 8.330), teria que ir a R$ 8.861,45. O de terceiro-sargento teria que passar de R$ 2.268 a R$ 2.412,70.Se os 135% fossem aplicados, os mesmos soldos ficariam bem maiores. O de almirante-de-esquadra teria que ir a R$ 19.575,50 e o de terceiro-sargento, a R$ 5.329,80 (confira na tabela acima como ficariam todos os soldos com os dois reajustes pedidos pelas esposas).

Praça vai para o TRT e oficial, para companhia aérea 

Oficiais e praças acompanham com esperança o movimento das esposas. Impedidos, por regulamento, de formar sindicatos e manifestar publicamente reivindicações salariais, eles têm nas esposas um canal legal para levar seus pedidos a público. “Sempre de forma ordeira e respeitosa, elas tornam públicas nossas perdas financeiras”, contou suboficial da Força Aérea.Ele destaca que, nos quartéis do Rio, os pedidos de baixa antecipada em função dos baixos vencimentos já provocam falta de médicos e desfalque em setores estratégicos. “Vai de sargento que passou em concurso e pediu desimpedimento para assumir cargo no Tribunal Regional do Trabalho a capitão-aviador que pediu para sair após receber convite de trabalho para se tornar piloto de companhia área comercial”, destacou o suboficial, apontando que, entre os capitães, os pedidos de baixa neste ano já somam quatro.
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