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Ele é o homem certo para o lugar certo, diz Dilma ao dar posse a Celso Amorim
Amorim assume o comando do Ministério da Defesa no lugar de Nelson Jobim, que pediu demissão na sexta-feira
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidente Dilma Rousseff deu posse na tarde desta segunda-feira ao embaixador Celso Amorim no Ministério da Defesa. Na cerimônia, Dilma ponderou que o convite a Amorim para assumir a pasta foi feito “com cuidado e com a devida reflexão”.
— Tenho convicção de que ele é o homem certo para o lugar certo — disse. 
Sem citar diretamente a insatisfação de alguns setores militares com a indicação de Amorim, Dilma afirmou que “mudanças importantes sempre provocam tensão, mas elas requerem cuidado, elas cobram sensatez e exigem escolhas bem refletidas”. 
Amorim toma posse no lugar de Nelson Jobim, que pediu demissão do cargo na quinta-feira.
Ao tomar posse, Amorim prometeu dar continuidade ao processo de modernização das Forças Armadas Brasileiras, atuando sempre o “espírito crítico”. Amorim disse ter consciência de que o perfil das tropas é bem diverso do perfil que vigorava no início da redemocratização do país e enfatizou a necessidade de refletir sobre temas como direitos humanos, desenvolvimento sustentável e igualdade de raça, gênero e crença. 
O ministro sinalizou ainda que, apesar dos cortes orçamentários implantados pelo governo no primeiro semestre do ano, será necessário investir em equipamentos de defesa. 
— Conto com a compreensão dos meus colegas da equipe financeira. O próprio documento legal que instituiu a estratégia nacional de defesa estabelece vínculo indissociável com a estratégia nacional de desenvolvimento — declarou. 
Essa estratégia, na visão de Amorim, é fundamental diante do reposicionamento do Brasil no cenário internacional. 
— Hoje é preciso admitir que nossas forças sofrem de carências. Há um descompasso entre a recente influência internacional brasileira e a nossa capacidade de respaldar isso no plano da defesa. Uma não será sustentável sem a outra. 
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim não compareceu à posse de seu sucessor. Hoje pela manhã, Jobim sentiu-se mal, fez exames de sangue para verificar suspeita de ter contraído dengue na última viagem oficial que fez, na semana passada, à Amazônia. 


Insatisfação
A troca de comando no Ministério da Defesa em meio a uma insatisfação das Forças Armadas com o orçamento destinado à área. Ontem, em Brasília, um grupo de mulheres de militares e integrantes da reserva protestou durante solenidade da troca da bandeira nacional na praça dos Três Poderes. Eles pediram melhores salários e criticaram o que chamam de sucateamento das Forças.
Os problemas orçamentários da Defesa, que sofreu pesado corte no início do ano por ordem da presidente Dilma Rousseff, foram apontados como motivo de insatisfação de Nelson Jobim, que acabou deixando o cargo depois de uma sequência de declarações polêmicas.
As reivindicações salariais são mais fortes na base da carreira. Taifeiros, soldados, cabos e sargentos, segundo os familiares, recebem soldo incompatível com o trabalho que exercem quando se leva em comparação os rendimentos de profissionais da polícia militar e bombeiros do Distrito Federal.
ZERO HORA, COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA ESTADO
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