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“Ah! Meu amigo, se me visses, qual Ulisses moderno, abrindo dois mil quilômetros de estrada, de Cuiabá a Rio Branco, numa Odisséia real, para que descobrisses um novo Brasil,
 certamente não falarias assim.”

Trecho de meu artigo, SOLDADO!, publicado neste blog.

5º BEC: 46 anos de progresso de história em Rondônia
Anisio Gorayeb
Comboio do 5º Batalhão de Engenharia e Construção durante sua última parada na BR 029, a 8 km de Porto Velho. (Fonte: 5o BEC)
Criado através do Decreto No. 56.629 de 30 de julho de 1965, assinado pelo Presidente da republica Humberto de Alencar Castelo Branco, o 5º BEC – Batalhão de Engenharia e Construção está completando 46 anos de desenvolvimento para a região e em especial para Rondônia.
Após alguns meses de preparação e uma minuciosa programação e aquisição de maquinas e equipamentos, recrutamento de militares para integrarem a missão de desbravamento na Amazônia, o comboio com a primeira unidade do 5º BEC partiu do Estado da Guanabara dia 16 de janeiro de 1966.
A primeira etapa da viagem até Cuiabá foi tranqüila. Já a segunda etapa que compreende o trecho de Cuiabá a Porto Velho pela antiga BR 029, hoje BR 364, foi muito difícil, a rodovia estava em péssimas condições, em estado de abandono. Uma viagem nestas condições era uma verdadeira aventura.
Após 32 dias de viagem, mais precisamente no dia 17 de fevereiro de 1966, o comboio do 5º BEC adentrava a cidade de Porto Velho em desfile pelas suas principais ruas. Na Rua Pinheiro Machado foi montado um palanque para as autoridades, onde estava presente o governador do Território Federal de Rondônia, o Coronel Manoel Luiz Lutz da Cunha Meneses.
A princípio o pelotão acomodou-se nas dependências da Guarda Territorial, na Rua Major Amarantes. Após alguns dias aquartelaram-se no antigo prédio do DNER – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, na Rua Rui Barbosa, hoje Hospital de Guarnição. O comando do batalhão utilizou o prédio da administração da EFMM na Avenida Sete de Setembro esquina com Avenida Farquar.
Em seguida iniciaram as obras do quartel juntamente com as residências dos militares. Ao lado esquerdo do quartel foram construídas as residências dos sargentos e subtenentes, e ao lado direito as residências dos oficiais, por isso foi denominada de REO – Residência Especial dos Oficias. O comandante e os oficiais mais graduados sempre residiram no centro, no Bairro Caiarí.
Foram construídos dois clubes sociais, que por sinal, eram os melhores da cidade. Onde eram realizadas as melhores festas da cidade: bailes de carnaval, “reveillon”, baile municipal e bailes de debutantes. Um destes clubes foi demolido há pouco tempo. Por decisão do Ministério da Defesa, em seu lugar será construído um novo quartel. Lamentamos muito a demolição do “Cassino dos Oficiais” (este era o nome do clube), pois durante nossa juventude freqüentamos aquele local, que alem dos bailes tinha também uma boa piscina.
Seu primeiro comandante foi o Coronel Carlos Aloysio Weber que foi homenageado pelo Ministério do Exército, através da Portaria No. 363, de 14 de julho de 1999. O 5º BEC recebeu a denominação histórica de “Batalhão Cel. Carlos Aloysio Weber”. Uma justa homenagem a este pioneiro que comandou inúmeros heróis nesta longínqua região.
Nestes 46 anos de trabalho em prol do desenvolvimento da região o 5º BEC realizou e continua realizando trabalhos em diversas áreas. Milhares de quilômetros de rodovias federais, estaduais e municipais. Pavimentação de vias urbanas, construção de aeroportos e pistas de aviação, centenas de pontes e muitas de obras de construção civil.
O batalhão implantou o “Projeto Rondon” no final dos anos 60. Este projeto tinha o objetivo de requisitar estagiários de medicina e outras áreas de saúde para darem assistência aos moradores da região. Estes universitários vinham sempre do sul do país.
Imagem atual do quartel do 5º Batalhão de Engenharia e Construção, que desde 1999 recebeu a denominação de Batalhão Cel. Carlos Aloysio Weber. (Fonte: 5º BEC)
Muitos pioneiros constituíram família e residem na cidade de Porto Velho. Eles falam com orgulho do Batalhão, como por exemplo, o Sargento Áureo Soares que trabalhou diretamente com o Cel. Weber, e atualmente trabalha no Hospital de Guarnição. Segundo ele, não consegue se afastar da “farda”.
Há alguns meses ocorreu um fato curioso que comprova a paixão dos pioneiros pelo Batalhão. O subtenente Ranílio Zampiron, pioneiro do 5º BEC, que estava doente há bastante tempo, fez um pedido a família, e exigiu que atendessem seu último pedido.
Zampiron pediu que fosse sepultado no cemitério Jardim da Saudade, que foi construído pelo Batalhão em 1967 e onde está sepultado o Rogério Weber, filho do primeiro comandante que faleceu num acidente de motocicleta na rua que hoje tem seu nome. O subtenente que já estava residindo no sul do país há mais de 20 anos teve seu pedido atendido pela família. Em maio deste ano foi sepultado no cemitério do 5º BEC.
Parabéns ao Tenente Coronel Moacir Rangel Junior por comandar este Batalhão que há 46 anos realiza um grande trabalho em prol do progresso do povo de Rondônia.
Muito obrigado 5º BEC.
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