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MÔNICA GARCIA
“Tenho o meu valor, sou um cara respeitado. Infelizmente eu não estou jogando. Mas uma hora eu vou jogar. Existem momentos e pessoas melhores, e nesse momento eles são melhores e eu tenho que entender isso”(Anderson)
Com 37 anos, o oposto Anderson enfrenta um novo desafio na carreira: jogar pela Seleção militar de vôlei. Bicampeão mundial (2002 e 2006), campeão olímpico em Atenas (2004), vice em Pequim (2008) e hexa da Liga Mundial (2001, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007), o agora sargento ingressou na carreira militar por intermédio do edital no ano passado, quando atletas de alto rendimento poderiam fazer parte das Forças Armadas.
A única experiência do jogador com o exército foi aos 18 anos, quando serviu o serviço militar obrigatório. Ficou somente dois meses e, com o excesso de contingente, pediu para sair. A experiência jamais foi esquecida, já que o primeiro teste para largar definitivamente os gramados (Anderson foi goleiro até os 18 anos, e passou por Cruzeiro e América-MG) pelas quadras aconteceu em um clube da PM de Belo Horizonte.
“Nunca vi diferença entre fazer parte de uma equipe militar ou civil. O esporte não muda. A única coisa que é diferente são as regras de cada Seleção e algumas normas a seguir, como ficar em posição de sentido na hora que toca o hino, por exemplo, mas nada que influencie dentro de quadra”.
Para o oposto, a sensação de voltar a vestir a camisa verde e amarela é espetacular, e o trabalho não muda em nada. “Servir o Brasil é muito bom, seja jogando por uma seleção civil ou militar. Lembrar algumas coisas do passado não muito distante é fantástico. É muito bom jogar, ouvir a torcida gritar o nome, isso não tem explicação. Lógico que são níveis diferentes, mas é muito bom mesmo”, assegura.
Passar pelo estágio de incorporação para sargento do exército não foi nem um pouco difícil, já que disciplina e hierarquia já fazem parte da vida de um atleta. E para o jogador esse aprendizado só lhe trouxe coisas boas para a vida e a carreira.
“O tempo que passamos nos preparando no exército foi muito bacana e divertido. Acho que por eles terem focado mais nos Jogos Mundiais Militares, a pressão na nossa preparação foi muito leve, o rigor não foi levado ao pé da letra. Nós conhecemos um pouco da história do Exército Brasileiro, que acho que muita gente não conhece, conhecemos as patentes, as hierarquias, a disciplina é uma experiência para a vida toda”, diz.
Embora Anderson seja o mais experiente e vencedor da equipe militar, o oposto vem ficando no banco e sendo sacado pelo técnico Flávio Marinho (professor do Colégio Militar e civil) poucas vezes durante as partidas.
“Ficar no banco faz parte. Isso não me incomoda. O ser humano tem que entender que às vezes existem pessoas que estão melhores que você. Isso não é vergonha para ninguém. O Giba na Seleção principal é um belo exemplo. Um cara mais velho, capitão e também está no banco”, comenta.
“E tem o seu devido valor na equipe, é um cara respeitado. E aqui é assim também. Tenho o meu valor, sou um cara respeitado. Infelizmente eu não estou jogando. Mas uma hora eu vou jogar. Existem momentos e pessoas melhores, e nesse momento eles são melhores e eu tenho que entender isso”, afirma o jogador com toda a seriedade.
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