FX-2: RAFALE É MAIS CARO PORQUE É MELHOR, DIZ EXECUTIVO FRANCÊS

“O Rafale é mais caro porque tem maior capacidade de trabalho que o Gripen” 

Entrevista / Eric Trappier
Diretor-geral internacional da Dassault e administrador do Rafale
Executivo afirma que a Dassault e seus parceiros franceses estão prontos para transferir 100% da tecnologia dos seus caças para a Força Aérea Brasileira
O Programa F-X2 está parado. Na sua avaliação, esse processo deve ser retomado logo?
Estamos participando do programa de licitação do F-X2, fizemos nossa oferta e, como você sabe, o processo foi um pouco congelado por razões políticas brasileiras que eu não vou comentar. Então, nós aproveitamos o tempo suplementar que nos foi dado para continuar o trabalho de aproximação com a indústria brasileira. Isso nos permitiu enriquecer a nossa oferta através de participação em seminários, ou seja, aproveitamos esse tempo para aprofundar nosso conhecimento e assinar memorandos de entendimentos com várias empresas, o que melhora ainda mais a compreensão do que vai ser a transferência de tecnologia. Porque a nossa oferta vai ser a número um no que diz respeito à transferência de tecnologia.
Há mesmo esse compromisso de transferência de tecnologia?
100% de transferência de tecnologia. Isso está completamente apoiado e autorizado pelas autoridades francesas, em todos os níveis. A Dassault não está sozinha: temos pequenas empresas, médias e grandes que vivem graças à atividade do Rafale na França. Da mesma maneira, se a gente tiver um contrato do F-X2 haverá o desenvolvimento dessas competências localmente com um conjunto de companhias. Então, a gente identifica neste momento as empresas com as quais nós poderíamos trabalhar.
A Dassault tem feito contatos no Brasil?
Através de nossos seminários no Brasil, nós fazemos aproximação com políticos de lugares onde nós poderemos fazer o trabalho. São homens da política que têm interesse em que as indústrias locais se desenvolvam, o que é gerador de tecnologia, o que quer dizer emprego e valor agregado também.
Mas o modelo Rafale é o mais caro em relação aos modelos equivalentes…
O Rafale é mais caro que do Gripen mas é normal, ele faz mais de duas vezes e meia o trabalho do Gripen. Ou seja, se a gente faz a relação entre o que ele faz a mais e o seu preço em relação ao Gripen eu penso que o Rafale é menos caro. Olhando para os americanos, sim, o F-18 é um pouco menos caro que o Rafale, mas há uma razão: é a relação euro/dólar. O euro é mais caro que o dólar, então nós somos penalizados pelo fato de que nossos custos são em euro. E mais, eu acredito que a credibilidade de transferência de tecnologia é maior em relação à França dos que aos Estados Unidos.
O sr. conversou com os parlamentares brasileiros que vieram a Paris?
Sim, nós os encontramos no Salão de Le Bourget. Essa delegação foi convidada numa boa data pelo Parlamento francês. Eles vieram numa missão de informação num domínio importante e estratégico da defesa e aproveitaram para ter um briefing sobre o Rafale. Mas não era essa a missão número um — a missão número um é que eles pudessem ver, junto às autoridades e parlamentares franceses, como funciona o sistema de defesa francês.
DEFESA

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Respostas de 3

  1. Nós brasileiros nunca fomos tão próximos das nossas forças armadas, principalmente em decorrência da ditadura e seus atos insanos relacionados aos cidadãos comuns, mas, sempre fomos patriotas ao extremo e nos preocupamos com o andamento de tudo e principalmente todas as prerrogativas relacionadas à nossa soberania nacional. Antes não tínhamos o pré-sal, não éramos os principais produtores mundiais de alimentos, não tínhamos controle ou conhecimento de nosso subsolo, enfim, não tínhamos as riquezas que temos hoje. O Brasil de hoje é um país governável, auto-suficiente e com um potencial descomunal de crescimento futuro. Um horizonte paupável e visível ao resto do mundo. Quando se iniciou esse programa de reaparelhamento da FAB, nosso FX, pensamos em se tratar de algo mais racional e menos penoso, afinal, temos a EMBRAER uma das maiores empresas aeroespaciais da América Latina ou mesmo do mundo, temos o ITA, um das maiores referências em engenharia nesse setor, enfim, temos técnicos suficientes e com conhecimentos de causa para definir qualquer programa que se relacione a escolha de vetores e offset que possam trazer benefícios ao país. Tudo estava bem, embora bastante moroso, passou de FX a FX-2, a FX-3, a FX-4, até haver a escolha dos finalistas: SAAB Gripen NG, Boeing F/A-F-18 Super Hornet e por fim o Dassault Rafale F-3. Depois de tanto tempo uma escolha final que qualquer amador a qualificaria como grotesca. Todos esses três vetores apresentados são peças mundialmente descartáveis e obsoletas. São caças de 2ª e 3ª gerações, onde houve upgrade na tentativa de potenciá-los e torná-los com uma sobrevida maior. Hoje se busca equipar as forças aéreas com caças de 5ª geração e o Brasil encontra-se totalmente na contramão mundial. As assinaturas geradas nos radares pelas tecnologias stelth mudaram o horizonte aéreo definitivamente. A FAB não pode errar nessas circunstâncias, não pode ter em seus hangares vetores incompletos, que tragam dúvidas quanto a sua potencialidade de proteção ao país. O momento é crucial para se definir uma escala de prioridades que tragam tranqüilidade ao espaço aéreo brasileiro. Essa auto-suficiência aérea deverá ser totalmente inquestionável ao brasileiro e ao restante do mundo que o cerca. Para guardar mais latas velhas ou manter um museu a céu aberto é melhor estabelecer uma nova era ou um novo provedor, um museólogo específico e que não tenha nenhuma ligação com a FAB. O período dos turbofans ou motores a hélices, já se foi, estamos no século XXI, na era tecnológica, em um mundo globalizado, onde a informatização é real e onde tudo acontece com agilidade, não podemos brincar de aviõezinhos e sorrirmos como se desconhecêssemos o que se passa a nossa volta. Que sejamos realistas e menos ingênuos.

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