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General descarta atos radicais na Copa
Em passagem por Bauru, Peternelli Júnior fala sobre estratégias de segurança durante dois grandes eventos esportivos no Brasil
Mariana Cerigatto
O Brasil se prepara para receber dois grandes eventos esportivos: a Copa do Mundo em 2014 e, num intervalo de apenas dois anos, as Olimpíadas, em 2016. Por mais que o País não seja ligado a movimentos extremistas, como ficará a segurança nesta época, na qual diversas autoridades internacionais, turistas e outras personalidades passarão por aqui? Diante da visibilidade internacional, há chances do Brasil se tornar alvo de ataques que usam da violência extrema, como o terrorismo?
Para o novo comandante da 2ª Região Militar (2ª RM), general Roberto Sebastião Peternelli Júnior, não. Ele descarta eventuais ataques que usam da violência, até os mais extremos, como atos de terrorismo, mesmo nos períodos em que o País estará mais “exposto” internacionalmente.
“O que pode acontecer é um determinado grupo querer chamar atenção para uma causa que defende e aproveitar-se de um evento mundial para aparecer”, comenta.
Peternelli detalhou as estratégias de segurança durante visita na manhã de ontem a Bauru. O general, que recentemente assumiu o comado da 2ª RM, visitou a 6ª Circunscrição de Serviço Militar (6ª CSM) e esteve no Jornal da Cidade.
Peternelli é de Ribeirão Preto e está no Exército há mais de 41 anos, sendo que nos últimos anos esteve à frente do Comando de Aviação do Exército, em Taubaté (SP).
Para Peternelli, o Brasil está longe de sofrer ataques terroristas. “Certos movimentos envolvidos com o terrorismo não atingem o Brasil, pois aqui você percebe que convive em harmonia uma diversidade de raças e religiões”, ressalta.
Estratégias
A segurança desses grandes eventos é pensada de forma estratégica e em conjunto com vários órgãos de segurança, conforme destaca Peternelli. Ele afirma que o Exército Brasileiro detém equipamentos e a estrutura necessária e que está preparado para enfrentar eventuais problemas.
“Diante de grandes eventos, uma das obrigações é que se tenha uma estrutura de artilharia antiaérea adequada. Contudo, a proteção vai além do Exército, é bem abrangente”, comentou.
O comandante indica que o trabalho de segurança na Copa e Olimpíadas envolve a atuação das polícias Militar, Civil, Federal, do Trânsito e Rodoviária, além de profissionais de saúde.
“Frente a uma maior movimentação de pessoas nos aeroportos e hotéis, temos que pensar em proteger o cidadão brasileiro e também os turistas que desembarcarão aqui em peso, assim como delegações e autoridades. Contaremos com escoltas, sistemas de monitoramento e inteligência, sempre pensando em nos antecipar ante os problemas. A própria mídia, que irá cobrir os eventos, ajuda a identificar necessidades de segurança”, salientou.

‘Narcotráfico é um problema da sociedade’
Para o novo comandante da 2ª Região Militar (2ª RM), general Roberto Sebastião Peternelli Júnior, o Exército é bastante responsabilizado pela sociedade por combater o narcotráfico.
“Contudo, o narcotráfico é um problema não só do Exército, mas de toda a sociedade brasileira. O Exército é um dos componentes que podem ajudar a controlar a entrada de drogas no País, mas o combate é responsabilidade de toda a população, autoridades e demais setores envolvidos”, frisa.
Segundo o general, há um forte discurso que critica a entrada de entorpecentes no País, mas deixa de considerar a conscientização do consumo dessas substâncias.
“Por exemplo, se critica a existência do tráfico no Rio de Janeiro, como no Morro do Alemão. Mas lá só tem arma e dinheiro porque tem gente que vai comprar a droga”, observa.
Diante do combate ao narcotráfico, Peternelli ressalta a participação do Exército, como no morro do Alemão, e comenta sobre o processo de modernização das Forças Armadas através do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), que visa aperfeiçoar a proteção das fronteiras do País, como na Amazônia. A expectativa é que o sistema deva ser implantado em três etapas até estar concluído, em 2019.
“Entretanto, o projeto do Sisfron, por si só, não vai solucionar o problema. Ele é um projeto que permite uma presença mais efetiva do Exército em certos locais, possibilita transportar mais rapidamente tropas até essas fronteiras, mas existem formas muito variadas de entrar e sair com droga no País”, enfatiza.
“Não podemos somente pensar na fiscalização das fronteiras, mas em quem consome o entorpecente. Se tivermos a conscientização do consumidor, o problema das drogas pode ser minimizado nas fronteiras”, avalia.
JC NET
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