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Brasil tem seis milhões de armas ilegais, afirma coronel do Exército em depoimento à CPI
Diógenes Dantas falou que 223 armas foram extraviadas ou furtadas das Forças Armadas

“As armas em sua maioria nascem na legalidade e só depois chegam ao crime”, afirma Freixo.

Das cerca de 16 milhões de armas em circulação no país, seis milhões estariam na ilegalidade. Somente de acordo com os dados do Ministério Público Militar, 223 armas foram extraviadas ou furtadas das Forças Armadas de 2004 a 2008. A maioria era do Exército (54,7%) e a metade (50,2%) foi levada de unidades localizadas no Rio de Janeiro. As informações foram dadas pelo coronel do Exército e analista do MPM (Ministério Público Militar), Diógenes Dantas, durante o depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Armas da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
O depoimento fortaleceu a convicção do presidente da CPI, o deputado Marcelo Freixo, de que o problema está na fiscalização.
– As armas em sua maioria nascem na legalidade e só depois chegam ao crime, graças às falhas graves na sua fiscalização.
Além dos dados sobre o extravio ou furto de armas de paióis militares, o analista do MPM relatou a existência de casos de colecionadores acusados do aluguel de suas armas para criminosos ou mesmo para empresas de segurança privada.
Segundo Diógenes, entre as falhas, a principal é a falta de vontade política institucional para tratar como prioridade a fiscalização de armas, munição e explosivos. Como exemplo de descontrole, Diógenes lembrou que, em 2002, foi possível constatar que havia 1.493 armas cadastradas de forma irregular no país. Segundo ele, após a correção da falha, esse número caiu para 217.
O coronel alertou que a geografia do Rio como fato facilitador do desvio e extravio de armas oficiais para o crime.
– Há muitas unidades militares que se situam próximas a favelas dominadas por facções criminosas e é sabido que as Forças Armadas têm quartéis que sofrem implicações direta ou indiretamente na segurança orgânica das ações dos marginais nessas comunidades. É significativa a quantidade de munição de mesmo calibre daquela utilizada pelas Forças Armadas e pela Polícia.
Para Freixo, os dados disponíveis sobre armamento são todos parciais e o sistema de fiscalização muito frágil.
– É preciso, por exemplo, uma atenção especial para a situação dos colecionadores. Há casos até de colecionadores que passaram a integrar o crime organizado. O fato é que não existe um controle adequado de armas e munições e mudar isso é o grande desafio do poder público.
R7
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