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Os resultados de uma nova pesquisa revelam que os video games podem ajudar a impedir pesadelos. De acordo com uma pesquisa online envolvendo 98 militares que jogam regularmente games que envolvem guerra e combate — como Call of Duty e Medal of Honor —, jogos com essa temática minimizam o nível de “perigo e agressão” que os soldados sentem quando estão sonhando com uma guerra. Entre os entrevistados, os soldados que não possuem o costume de jogar relataram ter sonhos mais violentos durante seu período de sono, combinados com uma sensação de desamparo. A pesquisa foi realizada por Jayne Gackenbach, da universidade canadense Grant MacEwan, em Edmonton; ela apresentou alguns de seus resultados na Game Developers Conference — mais conhecida como GDC — no início de março.
A tese não parece se aplicar a militares com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), visto que os soldados com o pré-diagnóstico de transtornos mentais foram descartados da pesquisa, que dividiu os demais em dois grupos — os de jogos em alta, e os de jogos em baixa —, baseado na frequência em que jogam video games. O primeiro grupo envolve pessoas que, diariamente ou várias vezes por semana, jogam franquias envolventes como o estratégico World of Warcraft, o bélico Call of Duty e o faroeste Red Dead Redemption. O segundo grupo mal tocava nos video games, disputando apenas algumas partidas casuais de vez em quando.
Aqueles no grupo dos jogos em alta relataram que seus pesadelos sobre combate foram menos intensos, e muitos no grupo também relataram que, muitas vezes, se sentiam capazes de lutar contra todas as forças que os ameaçavam em seus sonhos. Os jogadores de baixa frequência, por sua vez, já registraram mais incidentes envolvendo sentimentos de impotência contra um inimigo agressivo e violento. A teoria de Gackenbach, baseada em dados preliminares, indica que jogar video games violentos pode servir como uma espécie de “simulador de ameaça” — o que pode ser considerado uma forma de condicionar a mente para lidar com situações intensas e perigosas durante os pesadelos.
Na apresentação na GDC deste ano, que ocorreu em São Francisco, Gackenbach usou um soldado como exemplo. Eis o que ele disse:

“Eu já vi muitos soldados, em combate, com PSP’s ou qualquer coisa que poderia ser ligada nos 220v. Quando os soldados não estavam em patrulha, nós tínhamos muitas vezes jogos violentos em nossos aparelhos. Era estranho; como se nós já não tivéssemos violência o suficiente.”

A princípio, parece ser apenas mais um caso de vício em video games, mas existe um sentido muito mais profundo por trás disso. É o que explica Gackenbach ao site New Scientist:

“Essa cena intuitiva pode ser muito mais do que apenas uma manifestação de jovens, homens e mulheres viciados em video games trazendo para a guerra suas diversões favoritas consigo. Isso pode ser uma forma de auto-medicação. Eles estão levando [consoles de video game] ao campo e os jogam o tempo todo. E acontece que pode haver uma boa razão para deixá-los fazer isso.”

Edição: A todos os que se perguntaram sobre o nome familiar na roupa do rapaz da foto, você acertou em cheio: é o Thiago Piccini, colaborador do Reino do Cogumelo, em mais um dia de trabalho…
Via Science, via Reino do Cogumelo
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