Jorge Serrão
A crise militar está instaurada. A Presidenta Dilma Rousseff odiou a manifestação praticamente oficial das Forças Armadas condenando a criação da Comissão Nacional da Verdade. O Palácio do Planalto orientou o Ministério da Defesa a tentar reduzir o impacto de uma reportagem, publicada ontem pelo jornal O Globo, revelando que os Altos-Comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica formalizaram ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, a completa contrariedade com a criação da Comissão que vasculharia a História do País entre 1964 e 1985.
A Defesa tentou minimizar a versão de contrariedade das Legiões. Em nota, a Assessoria de Jobim alegou que os trechos do documento citados pelo jornal foram retirados de informações enviadas pelo Exército, em setembro, à assessoria parlamentar do ministério. O ministério da Defesa aproveitou para obrar no quepe dos Generais que escreveram o texto: “A manifestação do Exército foi superada, ainda no ano de 2010, em face da posição inequívoca do ministro da Defesa a favor íntegra do Projeto de Lei nº 7.376/2010, na forma em que foi encaminhada ao Congresso Nacional pela Presidência da República, sem nenhuma objeção do Comando do Exército”.
Na tentativa de preservar seu emprego de ministro da Defesa, Jobim mandou a Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Defesa incluir na nota oficial uma versão que contraria o que circula nos bastidores do Exército, Marinha e Aeronáutica: “O ministro da Defesa, falando por si e pelas três Forças, reitera seu compromisso de trabalhar pela aprovação, no Congresso Nacional, da íntegra do texto do Projeto de Lei nº 7.376/2010, que decorreu de trabalho por ele desenvolvido. Há um entendimento perfeito entre os ministros da Defesa, da Justiça e da Secretaria de Direitos Humanos no encaminhamento da matéria, com a qual as Forças Armadas estão em absoluta consonância. A busca da memória é um compromisso assumido de forma definitiva por todos os integrantes do Ministério da Defesa e das Forças Armadas”.
A Verdade sem Comissão
Em 1987, o Ministério do Exército concluiu a redação de um livro para revelar informações sobre o governo dos militares (1964-1985), na versão oficial das Forças Armadas, cujo conteúdo pode ser integralmente conhecido pelo link: A VERDADE SUFOCADA
O trabalho até ganhou uma palavra-código: Orvil – livro escrito de forma invertida, para ironizar como a história foi mal contada na versão da chamada esquerda.
Medinho infundado
O problema é que o ministro do Exército, General Ex Leônidas Pires Gonçalves, não autorizou a publicação do Orvil naquela época.
Leônidas alegou que a conjuntura política não era oportuna, que o momento era de concórdia, conciliação, harmonia e desarmamento de espíritos e não de confronto, de acusações e de desunião.
O General Leônidas foi o autor do verdadeiro “golpe militar” de 1995 que garantiu a posse de José Sarney na Presidência – e não a realização de novas eleições presidenciais, em função da morte de Tancredo Neves.
Nada a declarar
Por meio de sua assessoria, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que não iria se pronunciar sobre o assunto.
Desde que assumiu a pasta, ela tem evitado entrar no debate sobre a ditadura. A ministra foi orientada a falar de temas menos polêmicos da área de direitos humanos.
O ex-ministro da Justiça nos tempos dos militares, Armando Falcão, morreria de inveja deste nada a declarar forçado da Maria do Rosário…
ALERTA TOTAL
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Respostas de 2
Queiram me desculpar, mas alguém, além dos militares, acreditaria nas "verdades" escritas no Orvil? Elas são tão questionáveis e parciais quanto as proclamadas pela "chamada esquerda"… Só tem medo da comissão da verdade quem tem verdades incômodas a esconder. É uma vergonha que todos os nossos vizinhos latino-americanos tenham revisto sua história recente, enquanto nós continuamos a escondê-la debaixo do tapete…
Aproveitando, o ministro da defesa alemão citado no alto da página renunciou por fraudar sua tese de DOUTORADO, não de mestrado. Além disso, a academia brasileira tem mais dignidade do que leva a crer essa frase infeliz do Cláudio Humberto. Por exemplo, há um mes atrás um professor da USP foi demitido por plágio em pesquisa, e uma aluna perdeu seu diploma de doutorado.
Amigo, você está equivocado. O Orvil contém muitas verdades, sim, embora inconvenientes.
Mas você não precisa acreditar nele, ou em mim.
Leia isto:
"Marchamos dois dias e duas noites sem dormir, o tenente não agüentava mais andar, por isso paramos (dia 10 de maio). Fizemos várias perguntas ao tenente; ele considerava a derrota como culpa dos soldados, que usavam a farda como meio de vida, que não tinham amor à farda – sobre o seu procedimento no tempo em que serviu no Presídio Tiradentes, declarou que os presos não são gente – sobre a emboscada que montara, quebrando a palavra empenhada, dizia-se traído pelos seus superiores – perguntado por que a Polícia Militar espancava operários e massacrou operários na greve de Osasco, respondeu que grevistas e desempregados são vagabundos, e não respondeu quando perguntamos sobre a miséria que tinha visto no campo, e particularmente no nordeste.
Foi julgado e condenado por ser um repressor consciente, que odiava a classe operária – por ter conduzido à luta seus subordinados que não tinham consciência do que faziam, iludidos em seus idealismos de jovens, utilizados como instrumento de opressão contra o seu próprio povo, iludindo os jovens, ensinando-os a amar a farda, quando deveriam amar o povo – por ter rompido com a palavra empenhada em presença de seus subordinados – por ter tentado denunciar a nossa posição.
A sentença de morte de um Tribunal Revolucionário deve ser cumprida por fuzilamento. No entanto, nos encontrávamos próximo ao inimigo, dentro de um cerco que pode ser executado em virtude da existência de muitas estradas na região. O tenente Mendes foi condenado a morrer à coronhadas de fuzil, e assim o foi, sendo depois enterrado. Não sofreu qualquer violência ou ameaça antes do justiçamento, nem teve as mãos amarradas."
Sabem que escreveu?
Carlos Lamarca, o facínora que usou um pretenso julgamento que nunca existiu para esmigalhar a coronhadas a cabeça de um jovem de vinte e poucos anos.
Tem também Carlos Marighella:
"Quando vêem que os militares e a ditadura estão a ponto do abismo, e temendo as conseqüências de uma guerra civil que já esta a caminho, os pacificadores (que sempre se encontram dentro de as classes governantes), e os oportunistas de ala direita, amigos da luta sem violência, se unem e começam a circular rumores detrás "das cortinas", pedindo ao carrasco eleições, "redemocratização", reformas constitucionais, e outras bobagens desenhadas para confundir as massas e fazê-las parar a rebelião revolucionária nas cidades e nas áreas rurais do país.
Mas, observando os revolucionários, as pessoas agora entendem que seria uma farsa elas votarem em eleições que tem como único objetivo, garantir a continuação da ditadura militar e cobrir os crimes do estado.
Atacando de coração esta falsa eleição e a chamada "solução política" tão apeladora aos oportunistas, o guerrilheiro urbano tem que se fazer mais agressivo e violento, girando em torno da sabotagem, do terrorismo, das expropriações, dos assaltos, dos seqüestros, das execuções, etc.
Isto contestaria qualquer tentativa de enganar às massas com a abertura de um Congresso e a reorganização dos partidos políticos–partidos do governo e os de oposição que permitira–quando todo o tempo o parlamento e os chamados partidos políticos funcionam graças a uma licença da ditadura militar num verdadeiro espetáculo de marionetes e cachorros numa corda."
Divirta-se.
Aproveitando, de infeliz a frase de CH só tem o seu comentário.
É óbvio que ele se refere a Dilma, que elegeu-se presidente mesmo ostentando um currículo fraudulento, que incluiu, durante muito tempo, um doutorado na UNICAMP.