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General brasileiro relata bastidores de resgate de reféns na Colômbia
Exército exigiu levar seus próprios militares e seus próprios helicópteros.
General diz que missão é de paz, mas que militares estão prontos para agir.
Tahiane Stochero
O Exército brasileiro fez exigências aos guerrilheiros e ao governo colombiano para poder participar do resgate de reféns há anos sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A informação é do general Luis Carlos Gomes Mattos, comandante militar da Amazônia e chefe da série das cinco operações de resgate iniciada na segunda-feira (7), em coordenação com a Cruz Vermelha.
“Mandamos dois oficiais para uma reunião na Colômbia em que foi decidida a ação, em que estavam presentes o governo colombiano e um representante das Farc. Nesse acordo, exigimos que os helicópteros tinham que ser nossos, assim como a tripulação”, disse o general, em entrevista exclusiva ao G1.
Helicóptero militar brasileiro, com os símbolos da Cruz Vermelha Internacional, pousa no aeroporto de Villavicencio, na Colômbia, para resgate de reféns na terça-feira (8). (Foto: AP)
Na segunda-feira (7), dois helicópteros Cougar, de fabricação francesa, saíram de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com destino a Villavicencio, na Colômbia, para resgatar dois políticos e três militares que estão sob poder das Farc há anos. No dia seguinte, foi libertado o vereador Marcos Baquero.
Nesta sexta-feira (11), a equipe de resgate planeja ir para Florencia (também na Colômbia) para libertar o vereador Armando Acuña e o militar Henrique Marinho López Martínez. No domingo (13), na última etapa do resgate, devem ser libertados, na cidade colombiana de Ibagué, os militares Guillermo Solórzano e Salim Sanmiguel.
“Participamos desde a primeira ação conjunta. Em todas, os militares são brasileiros, mas estão desarmados. É uma ação de paz, não de guerra”, diz o general. No resgate da ex-senadora Ingrid Betancourt, em 2008, após seis anos de cativeiro, a ação foi das Forças Armadas da Colômbia com apoio da Cruz Vermelhra.
O general admite que, apesar de todo o planejamento e do caráter pacífico da operação, há riscos de confrontos entre os militares brasileiros e os guerrilheiros das Farc. “Em princípio, é para ser sem riscos, mas não estamos na cabeça dos guerrilheiros. Se algo ocorrer, estamos preparados para agir. O risco faz parte da nossa profissão”, afirma Mattos.
“Há interesse das Farc de que tudo saia perfeito. Até agora não tivemos nenhum problema”, acrescenta o comandante da operação.
Em cada helicóptero Cougar há dois pilotos e dois mecânicos, todos soldados do 4º Batalhão de Aviação do Exército (Bavex), localizado em Manaus, no Amazonas, e que tem a determinação de proteger a área.
Agentes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha acompanham as ações dentro dos helicópteros, passando aos militares, somente após a decolagem, as coordenadas da posição em que o helicóptero deverá pousar para fazer o resgate. Essa foi uma exigência dos guerrilheiros e da Cruz Vermelha para evitar que ocorram ataques.
G1
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