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‘Anistia’ a Delúbio deixa Silvio Pereira animado
Ex-dirigente do PT, também envolvido nas denúncias do mensalão, sonda amigos sobre volta ao partido; para petistas, situações são diferentes

Vera Rosa
A provável anistia ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares de Castro animou o ex-secretário-geral do partido, Silvio Pereira, a sondar seus amigos sobre a possibilidade de retorno às fileiras petistas. Até agora, porém, os dois casos são tratados de forma diferente nos bastidores do PT, que completa 31 anos amanhã e vai reconduzir Luiz Inácio Lula da Silva à presidência de honra.
Embora tanto Delúbio quanto Silvinho – como é conhecido – tenham caído na esteira do escândalo do mensalão, em 2005, dirigentes do partido argumentam que o ex-tesoureiro foi expulso, enquanto o ex-secretário pediu para se desfiliar.
Em conversas reservadas, defensores de Delúbio dizem que o então tesoureiro “fez o que fez pelo partido”, mas não mostram a mesma disposição de perdoar Silvinho, sob a alegação de que o dirigente usufruiu de regalia em proveito próprio.
Homem da confiança do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, Silvinho caiu em desgraça em 2004, depois da descoberta de que aceitou um carro Land Rover, em 2004, de César Roberto Santos Oliveira, proprietário da empresa GDK, que prestava serviços à Petrobrás. Para não ser expulso, Silvinho pediu desligamento do partido em julho de 2005, quando o governo Lula vivia sob cerco político.
“Continuo com a mesma posição de que ninguém pode ter pena eterna, mas são casos diferentes: Delúbio foi expulso pelo PT e Silvinho pediu desligamento”, afirmou Francisco Rocha, coordenador da corrente Construindo um Novo Brasil, majoritária no partido. Na contabilidade informal da tendência, a mesma de Lula, Delúbio contará com o perdão de aproximadamente 57 dos 83 integrantes do Diretório Nacional para reingressar ao PT. Hoje, já teria o apoio de 42.
Mesmo com os senões apontados por antigos colegas, no entanto, Silvinho poderá ter a refiliação abonada pelo PT de Osasco, onde assinou sua primeira ficha, caso realmente reapresente o pedido. Na prática, o caso somente seguirá para o Diretório Nacional em grau de recurso e, mesmo assim, em última instância. Delúbio terá de passar pelo crivo da instância máxima porque foi expulso.
A portas fechadas, Silvinho disse a amigos que, se Delúbio voltar ao partido, ele também poderá retornar. A seu favor, argumenta que é o único envolvido no escândalo do mensalão que teve o nome retirado da lista dos réus em troca da prestação de serviço comunitário. Quando integravam a cúpula do partido, eles sempre tiveram divergências. Silvinho era ligado a Dirceu e Delúbio, a Lula. O então presidente do PT, José Genoino, contornou várias vezes desavenças entre os dois.
Delúbio promete reapresentar o pedido de refiliação ao PT ainda neste semestre por avaliar que o fim do “exílio” pode ajudá-lo quando for julgado pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão. O julgamento está previsto para agosto.
Em 2009, Delúbio já havia tentado voltar ao PT, mas foi convencido por amigos a retirar o pedido para não prejudicar a candidatura de Dilma Rousseff. À época, ele recebeu a garantia do próprio Lula de que, passadas as eleições, daria apoio ao seu retorno.
Para Lembrar
Foi um Land Rover Defender 90-SW, no valor de R$ 73,5 mil, que fez Silvio Pereira abandonar a vida partidária e as regalias de dirigente do PT. Silvinho, como é chamado no partido, teve o nome envolvido na CPI dos Correios (que investigou o mensalão), em 2005, por ter aceitado o jipe de César Oliveira, proprietário da GDK, empresa que matinha contratos com a estatal. Sílvio Pereira era secretário-geral do PT, cargo estratégico para o controle de nomeações. Sabia muito sobre os bastidores do poder. Pressionado, desfiliou-se do PT. Admitiu o erro. Réu no mensalão, fez acordo com a Procuradoria-Geral da República e suspendeu o processo em troca de prestação de serviços comunitários.
O ESTADO DE SÃO PAULO
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