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Abin reage a controle militar em carta a Dilma e rejeita ser ‘Tropa do Elito’
Funcionários da Agência Brasileira de Inteligência pedem encontro reservado no Planalto para protestar contra ações do general José Elito, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e afirmam que são civis e devem estar ligados à Presidência
Tânia Monteiro
Sem saber exatamente o que a presidente Dilma Rousseff pretende fazer com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a chamada “comunidade de inteligência” entrou em choque com o general José Elito, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Desde a criação, em 1999, a Abin é subordinada ao GSI. O estopim da rebelião foi a exigência do general de que todos os relatórios do serviço de inteligência sejam submetidos previamente à sua análise.
A decisão do general de avaliar a possibilidade de acabar com o Departamento de Contraterrorismo (DCT), criado em 2008 na gestão Paulo Lacerda, aprofundou ainda mais a crise envolvendo a Segurança Institucional e a Associação dos Oficiais de Inteligência (Aofi).
A associação pediu audiência no Planalto para discutir a crise e foi recebida no dia 27 de janeiro por três funcionários da chefia do Gabinete da Presidência, o que deixou ainda mais irritado o general. Giles Azevedo, chefe de Gabinete da Presidência, não estava presente na reunião.
Carta
Em carta entregue à Presidência, a “comunidade de inteligência” pede que a Abin não tenha nem subordinação militar nem subordinação policial. Em evidente trocadilho com o filme Tropa de Elite, funcionários da Abin dizem que não querem ser da “Tropa de Elito”.
A Aofi pede que a agência seja ligada diretamente à Presidência da República. “Solicitamos à Presidência um comando civil para a Abin uma vez que somos funcionários públicos civis, pertencentes a uma instituição civil”, disse um oficial da associação. Ele pediu que a identidade fosse mantida em sigilo por ser agente que faz serviço de campo.
A equipe de transição da presidente chegou a estudar a desvinculação da Abin da Segurança Institucional, mas o trabalho ficou pela metade e até agora não há clareza sobre o que o novo governo quer da agência.
A associação dos oficiais de inteligência foi criada em 5 de novembro passado e serve de contraponto à Associação dos Servidores da Abin, composta principalmente por funcionário oriundos da “comunidade de informações”, muitos com experiência no Serviço Nacional de Informações (SNI). A direção ainda é interina e aguarda a realização da primeira eleição.
‘Que se exploda’. A possibilidade de acabar com o Departamento de Contraterrorismo foi considerada uma ideia “despropositada” pelos oficias da inteligência. Avisado de que não poderia acabar com o departamento porque o Brasil é signatário de tratados internacionais coordenados pelas Nações Unidas, o general, conforme relatos feitos ao Estado, desabafou: “Quero que a ONU se exploda”.
O confronto entre o general Elito e os funcionários da Abin começou logo nas primeiras reuniões depois da posse, no dia 5 de janeiro, quando ele avisou que a principal reivindicação da categoria – a desvinculação da Abin do GSI – só aconteceria “se ele saísse do cargo”.
A possibilidade de tirar a Abin é vista pelo general como um ato de esvaziamento do GSI, reduzindo seu trabalho à segurança presidencial, como era no antigo Gabinete Militar.
Na sequência das primeiras reuniões, o general exigiu que os relatórios do serviço de inteligência passem pelo seu crivo e tenham um espaço para observações do chefe do GSI, antes de irem para o Sisbin, o Sistema Brasileiro de Inteligência.
A iniciativa foi considerada “centralizadora” e “inadequada” porque a doutrina de inteligência exige que os relatórios sejam imparciais e isentos de qualquer opinião. Além do clima beligerante com a Abin, o general começou estreando no comando do GSI criando uma saia justa para o governo Dilma.
Desaparecidos
No dia da posse, Elito, que comandou a Força de Paz da ONU no Haiti (Minustah), afirmou que os desaparecidos políticos não deveriam ser motivo de vergonha para o Brasil. O general foi chamado por Dilma para se explicar, mas não foi repreendido publicamente. Disse que foi mal interpretado.

ENCONTRO NO PLANALTO FOI ÀS ESCONDIDAS
A reunião no 3º andar do Palácio do Planalto, o mesmo ocupado pela presidente Dilma Rousseff, foi cuidadosamente preparada para que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e o seu chefe, o general José Elito Siqueira, não tomassem conhecimento da agenda.
O Gabinete de Segurança Institucional funciona no 2º andar, mas as reuniões temáticas com grupos externos são, normalmente, realizadas no 4º andar. O general considerou a reunião um “ato de indisciplina” e “rebeldia” dos servidores da Abin. “Uma afronta ao meu comando”, admitiu em conversas no GSI.
Quatro integrantes da Associação dos Oficiais de Inteligência (AOFI) se reuniram com três funcionários da Presidência lotados na chefia de Dilma, dirigido por Giles Azevedo, fiel escudeiro de Dilma. Giles, no entanto, não participou do encontro, que durou uma hora e meia.
Os representantes do governo Dilma fizeram questão de esclarecer que, naquele encontro, não havia espaço para “negociação” e que a reunião serviria apenas para apresentar demandas. Pediram, inclusive, que os funcionários da agência aguardassem “um momento mais adequado” para publicar a “Carta à Presidenta” na imprensa, como desejavam fazer de imediato. Os interlocutores de Dilma pediram que esperassem pelo momento certo, quando a Inteligência e a Abin fossem tratados como temas da agenda do governo. Os assessores de Dilma se comprometeram a repassar o teor da conversa à presidente da República.
O ESTADO DE SÃO PAULO
Comento:
Vamos combinar: pela sucessão de notícias negativas (links abaixo) a seu respeito em apenas trinta e sete dias, é fácil perceber que o General Elito está de saída do governo petista desde o primeiro dia. Suas (corretas) declarações sobre os desaparecidos do Araguaia o puseram na contramão da corrente ideológica instalada no poder. A saída parece inevitável. O motivo alegado será mero pretexto.

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