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Soldado que participou da Operação Boina ficou com problemas mentais, diz família

Família diz que Exército reluta em aposentá-lo e que vida virou um inferno 
depois dos exercícios militares

Sérgio Bruno de Lima em abril do ano passado, quando era socorrido no Hospital de Senador Guiomard (Foto: Arquivo/Agazeta.net)

Dos cinco soldados do 7º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC) que entraram em convulsão, quando participavam da Operação Boina, em abril do ano passado, um deles, Sérgio Bruno Pereira de Lima, 19 anos, afirma que nunca mais se recuperou dos problemas físicos e psicológicos a que foi submetido.

Nesta sexta-feira, 4, a esposa, Maria Gercy da Silva Lima, 24 anos, resolveu tornar público o drama do ex-soldado do BEC, que tenta na Justiça uma aposentadoria para custear o tratamento com medicamentos e com consultas psiquiátricas. 
Segundo a família, o pesadelo começou na tarde do dia 15 de abril do ano passado, quando o soldado e outros quatro colegas deram entrada no Hospital Geral de Senador Guiomard (25 quilômetros de Rio Branco) apresentando contrações involuntárias, febre e reações de instabilidade emocional. 
Os soldados faziam parte de uma tropa de 92 soldados que participavam do último dia de exercícios da Operação e na ocasião, um deles, o mais estável, afirmou que tiveram de caminhar 12 quilômetros pela BR-317, em meio ao sol da tarde e sem se alimentarem, sofrendo insolação.
Neste mesmo dia, o estado de saúde de três deles, incluindo o soldado Sérgio de Lima, teria se agravado e no início da noite, tiveram que ser removidos em ambulância do Serviço Móvel de Urgência e de Emergência ao Pronto Socorro de Rio Branco.
Hoje, segundo a família de Lima, a vida é de muito sofrimento. A esposa afirma que o soldado foi diagnosticado com “transtorno afetivo bipolar”, tem crises convulsivas constantes, por várias vezes foi internado numa Unidade de Pronto Atendimento e os médicos do Hospital de Sanidade Mental do Acre detectaram nele início de epilepsia. 
“Ainda no quartel, depois da operação, ele chegou a cortar os pulsos. Foi mandado para casa sem nenhuma remuneração e agora ora tem depressão, ora sofre de surtos psicóticos agressivos”, conta a esposa.
A grave situação de Maria Gercy Lima é potencializada com o fato de ter deixado o emprego, numa loja de confecções para cuidar do esposo. 
“Não posso trabalhar porque ele não pode ficar sozinho e também está sem renda. Só o que o Exército faz é sindicância e mais sindicância e nada se resolve. O processo dele, pedindo a aposentadoria, foi protocolado na Justiça por meio da Defensoria Pública da União. Mas tudo é muito lento e enquanto isso, estamos cuidando dele como podemos”, conta.
O modo como foram tratados no dia do atendimento médico, em abril do ano passado, lá em Senador Guiomard, pode ter contribuído para que o problema se agravasse. “Um deles foi trazido na “gravata” por um sargento moreno alto e que dispensou maca”, denunciou uma funcionária do hospital, revoltado com a situação.
No 7º BEC, oficiais informaram que se pronunciariam sobre o caso às 10 horas desta sexta-feira, mas isso não aconteceu.


Reveja o vídeo sobre o caso postado no blog em 24 de abril de 2010


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