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Ex-chefe do Cenipa nega envolvimento com donos do jato Legacy
“Sou empregado da Força Aérea, meu contracheque é padrão”
O brigadeiro Jorge Kersul Filho reafirmou nesta quarta-feira, em depoimento à Justiça Federal em Brasília, que não tem qualquer envolvimento com a empresa ExcelAire, dos Estados Unidos, proprietária do jato executivo Legacy envolvido noacidente com o avião da Gol, em setembro de 2006, que matou 154 pessoas.
Kersul foi convocado pela acusação, o Ministério Público Federal em Mato Grosso, para prestar depoimento como testemunha no processo que apura as responsabilidades no acidente com o voo 1907.O brigadeiro foi chefe do Cenipa (Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes da Aeronáutica) na época do acidente.
“Sou empregado da Força Aérea, meu contracheque é padrão”, disse o brigadeiro, ao responder sobre sua relação com a empresa norte-americana. Ele ainda afirmou que conhece, mas não mantém contato com o representante da ExcelAire no Brasil, Sérgio de Almeida Sales, um ex-oficial da Força Aérea.
A acusação queria saber porque o Cenipa entregou o Legacy à ExcelAire no final de 2010, apesar de haver interesse judicial no equipamento. O brigadeiro afirmou que entregou a aeronave porque havia mais de três anos que nenhuma autoridade manifestava interesse na posse do aparelho.
“Já havíamos tirado todos os dados para a investigação, não havia mais interesse no equipamento”, afirmou Kersul Filho.
A procuradora Analícia Hartz perguntou ao brigadeiro porque o relatório final da Aeronáutica não considerou a hipótese de o desligamento do transponder (dispositivo de rastreamento da aeronave) ter sido voluntário.
Kersul afirmou que não haveria nenhuma razão para o desligamento voluntário, uma vez que o dispositivo envolve a segurança dos próprios pilotos. “Nenhum piloto desliga transponder para brincar a 37 mil pés.”
Kersul reafirmou que nenhum acidente acontece por uma causa específica, mas por um conjunto de fatores. Também criticou o fato de um relatório da Aeronáutica ser usado para apurações judiciais sobre as responsabilidades.
AGÊNCIA BRASIL

Comento: 
Quem acompanha este blog sabe que sou radicalmente contra qualquer espécie de movimento sindical por parte de militares da ativa, por sua notória inconstitucionalidade. Particularmente, sempre critiquei o motim dos sargentos controladores de voo, em Brasília, que desmoralizou o Brigadeiro Saito e a FAB.
Nem por isso deixei de deplorar a conduta corporativista da Justiça Militar no julgamento dos militares, que resultou na condenação por homicídio culposo do Sargento Jomarcelo Fernandes dos Santos. Em 27 de outubro de 2010, escrevi neste blog, a respeito da notícia SARGENTO É CONDENADO PELA QUEDA DO BOEING 737:
“Na matéria de O Globo, acima, lê-se que Apesar de ser autora da denúncia contra os controladores, a procuradora do Ministério Público Militar (MPM) responsável pelo caso, Ione de Souza Cruz, pediu a absolvição dos cinco controladores. 
– Com a produção de provas, das provas necessárias, foi possível para mim, pelo menos, perceber que não havia crime naquela conduta (dos controladores) que eles haviam praticado – diz Ione. 
A juíza responsável pelo caso também pediu a absolvição dos cinco militares. Segundo ela, não é possível determinar a culpa dos controladores e o acidente não teria ocorrido se os pilotos do jato Legacy tivessem mantido o transponder – equipamento de segurança que dá a localização da aeronave – ligado. 
A maioria dos integrantes da 11 ª Auditoria Militar seguiu a juíza, absolvendo quatro réus.” O GLOBO
Então, temos aqui o seguinte: 
– A procuradora Ione, representante do MPM, responsável pela denúncia, pediu a ABSOLVIÇÃO DOS CINCO ACUSADOS, por não ver crime na conduta.
– A Juíza, responsável pelo caso e única com formação jurídica entre os julgadores, pediu aABSOLVIÇÃO DOS CINCO ACUSADOS, por não ser possível determinar a culpa dos controladores.
– Portanto, o sargento Jomarcelo foi condenado única e exclusivamente pelo entendimento dos SENHORES OFICIAIS COMPONENTES DO CONSELHO PERMANENTE DE JUSTIÇA DA 11ª AUDITORIA MILITAR, contrariando pareceres pró-absolvição, vindos do próprio acusador (MPM) e da autoridade judiciária que presidia o julgamento. 
– Qual terá sido o embasamento jurídico usado pelos militares para amparar sua decisão, eis que  os mesmos compoêm o CPJ temporariamente, mediante sorteio?
– O que leva um grupo de oficiais a contrariar pareceres tecnicamente qualificados e propalar uma sentença que contraria a lógica dos fatos?
Uma decisão lamentável, que põe à nu, mais uma vez, as incoerências da Justiça Castrense.
Este fato, aliado a inexplicável decisão do STM de esconder o processo de Dilma Rousseff, reacende novamente a discussão sobre a necessidade de sua existência.”

Esta investigação da Justiça Federal pode, sim, trazer nova luz aos acontecimentos, principalmente se atribuir a FAB as responsabilidades que lhe cabem, ao colocar profissionais sem a devida habilitação (no caso, o domínio da língua inglesa) em funções de alto risco. Dificilmente a justiça brasileira conseguirá atingir os dois debochados pilotos americanos, mas, ao menos, poderá reparar uma grave injustiça cometida pelos fardados contra um dos seus, para salvar a pele dos chefes.


Leia também:

SARGENTO É CONDENADO PELA QUEDA DO BOEING 737 (ATUALIZADO AS 07:00H)


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