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Num almoço reservado nesta terça-feira no restaurante dos oficiais, no 6º andar do Ministério da Defesa, o deputado José Genoino (PT-SP) acertou com Nelson Jobim sua ida para a Pasta. O parlamentar, que não se reelegeu para novo mandato na Câmara, será assessor especial do ministro da Defesa.
Genoino foi convidado no final do ano passado e decidiu aceitar. Ele assume o posto em meados de fevereiro, depois que entregar o seu gabinete no Congresso. Apesar da nomeação garantida, o petista prefere a cautela pública. (Leia também: Nelson Jobim convida o deputado federal José Genoíno para ser assessor especial do Ministério da Defesa)
– A proposta é interessante e estou pendendo a aceitar. A conversa foi muito boa e estou vendo com bons olhos. É um projeto com o qual tenho 100% de afinidade – disse José Genoino ao GLOBO.
Ex-guerrilheiro do PCdoB no Araguaia, onde enfrentou tropas do Exército, Genoino considera esse um episódio superado.
– Minha boa relação com os militares vêm desde a Constituinte. Já fui condecorado pelas Forças. Não é motivo (ter sido guerrilheiro) que vai fazer entrar areia – disse o deputado, que comentou a acusação de envolvimento no mensalão.
O petista é um dos 39 réus na ação que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
– Estou muito tranquilo, não cometi crime. Em paz com minha consciência e vou lutar pela minha absolvição.
Na época do escândalo, Genoino era presidente do PT e se afastou do comando do partido. Foi denunciado pelo Ministério Público Federal, acusado de corrupção e de distribuir recursos para base do governo.
O futuro assessor de Jobim defendeu a criação da Comissão Nacional da Verdade, que prevê o esclarecimento dos episódios que envolvem desaparecimento, tortura e morte de militantes de esquerda.
– Defendo o projeto que está na Câmara, sem qualquer alteração. O texto que é fruto de um acordo disse Genoino.
Jobim participou da elaboração do projeto que instala a comissão. O petista reafirmou ter muitas afinidades com o ministro da Defesa e disse que Jobim teve papel fundamental na reestruturação do ministério.
– Jobim tem uma visão democrática de dirigir o ministério, modernizou as Forças Armadas e exerce muito bem o estilo da autoridade de poder civil.
O parlamentar também afirmou ter apoio de setores de militares da reserva, onde há resistências à sua indicação.
– Tenho muitas relações com alguns deles. Nunca fiz da tribuna (da Câmara) um espaço de retaliação.
O general da reserva Paulo Chagas tem se oposto à indicação de Genoino para o cargo. Em mensagem eletrônica enviada a setores militares, Chagas, que aposentou-se como general de brigada, o primeiro posto permanente de oficiais generais, afirmou que a nomeação do petista representa o desejo de se desmoralizar definitivamente os militares.
“Por que, realmente, em meio a duas centenas de milhões de brasileiros, seria o Sr. José Genuíno, detentor de um currículo no mínimo controverso em relação à caserna, o escolhido para assessorar pessoalmente o atual Ministro da Defesa?”, questiona o general Chagas.
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