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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta sexta-feira que são ridículas as críticas sobre a estadia – que será paga pelo Exército – do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Forte dos Andradas, no Guarujá. Em entrevista ao programa “Bom Dia Ministro”, Jobim diz que não há fundamentação nas notícias sobre as férias de Lula na unidade militar:
– Considero ridículas (as críticas), absolutamente ridículas. Um presidente afastado do mandato, terminando o mandato, e que deseja passar momentos de lazer com a proteção necessária, o fará em ambiente do Exército. A decisão foi correta, e eu acho as críticas absolutamente ridículas e sem fundamentação – disse.

José Genoíno
Jobim confirmou ainda o convite que fez ao deputado federal José Genoino (PT-SP), um dos 40 réus no caso do mensalão, para ser seu assessor especial no Ministério da Defesa, conforme adiantou o GLOBO na edição desta sexta-feira .
– Eu, no ano passado, convidei o deputado José Genoino para ser meu assessor. Ele foi uma figura importante no Congresso e nos ajudou extremamente no debate das questões relativas à Defesa. Eu o conheço desde 1988, tenho relações estreitas com ele e fiz um convite. Ele não respondeu. Ficamos de conversar em fevereiro sobre se ele virá ou não. Seria uma função de assessor direto do ministro, ou seja, eu vou colar o Genoino perto de mim – afirmou Jobim. 
Jobim diz que apoia criação da Comissão da Verdade
Sobre a Comissão da Verdade, o ministro disse que não há divergências com a secretária Especial dos Direitos Humanos, a ministra Maria do Rosário. Ao tomar posse, segunda-feira, a nova ministra destacou a aprovação da Comissão da Verdade como uma de suas prioridades .
– A comissão da verdade é um projeto de lei que foi enviado ao Congresso Nacional. Agora vai depender de uma votação no Congresso Nacional. Esse projeto de lei teve o absoluto apoio do Ministério da Defesa e o meu próprio. Houve uma divergência inicial com o então secretário (Paulo) Vannuchi , sobre a natureza do projeto. O projeto pretendido pelo secretário Vannuchi era unilateral, pretendia fazer uma análise da memória histórica apenas por um lado da história. Nós queríamos que fosse uma visão completa do termo: as ações desenvolvidas não só pelas Forças Armadas na época, como pelo movimento guerrilheiro – disse.
– Não há nenhuma divergência com a secretária atual, Maria do Rosário, já que ela conhece muito bem o projeto que está no Congresso – completou Jobim.
Segundo Jobim, “setores minoritários” das Forças Armadas ainda resistem às iniciativas para esclarecer as mortes e os desaparecimentos políticos ocorridos durante o regime militar (1964-1985). O ministro explicou que os militares que se opõem a projetos como a criação da Comissão da Verdade estão na reserva e integram o mesmo grupo que discorda das recentes mudanças no âmbito da Defesa, mas são em número menor do que aqueles favoráveis à apuração dos fatos.
– Não há nenhuma dificuldade em relação às Forças Armadas. Eventuais bolsões de resistência sobre a memória podem se encontrar em algum setores muito minoritários. Alguns militares mais tradicionalistas da reserva não veem com bons olhos as mudanças que fizemos no Ministério da Defesa, como a subordinação das Forças Armadas ao poder civil democrático.
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