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Bruno Cunha e Natanael Damasceno

A notícia da criação de uma Força de Paz (FPaz) para atuar no policiamento dos complexos do Alemão e da Penha foi recebida com cautela por especialistas. Há um entendimento de que a nova fase da operação no Alemão vai criar novos desafios para o trabalho de cooperação entre o governo do estado e a União. Entre elas, o temor de que o uso do Exército no policiamento por tempo indeterminado leve a incidentes relacionados a abusos de autoridade.
Do Haiti, o sociólogo Rubem Cesar Fernandes aprovou a criação da FPaz. Mas ressaltou que o potencial de crises aumenta. Por isso, ele sugere a introdução de unidades das secretarias estadual e nacional de Direitos HumanosHumanos para receber denúncias de arbitrariedades.
– No Haiti, a presença de organismos internacionais faz com que qualquer caso de abuso de autoridade seja investigado. Para tornar o trabalho mais eficiente é preciso um controle externo. No Brasil, esses controles não são fortes, pois as pessoas acham que garantir direitos humanos é proteger bandido. Por isso, o risco é grande.
Para Geraldo Lesbat Cavagnari Filho, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, a Força de Paz é uma consequência natural do envolvimento do Brasil em operações de êxito fora da América do Sul. Mas, ele ressalta que o tempo de permanência do Exército nas favelas deveria ser menor:
– Nesses casos, o Exército procura fazer um trabalho rápido para sair desse imbróglio, $, em hipótese alguma, quer se contaminar com o crime.
Ex- Secretário Nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da PM de São Paulo, também elogia o trabalho conjunto das polícias estaduais e do Exército, mas afirma que a decisão tomada pelo governo do estado e pelo Ministério da Defesa é arriscada. Ele pondera que a situação do Rio é diferente da do Haiti:
– Lá, você tem um país com instituições frágeis. E os soldados não deixam de ser uma força de ocupação. Aqui, há um outro contexto.
Ele chama atenção ainda para o que, em sua opinião, representa um problema iminente dentro da política de Unidades de Polícia Pacificadora:
– Nem a China tem condições de formar sete mil policiais em um ano.

O GLOBO

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