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Alemanha abolirá serviço militar obrigatório
La Vanguardia
A Alemanha espera abolir em julho o serviço militar obrigatório de seis meses, anunciaram ontem em Dresden a chanceler Angela Merkel e o ministro da Defesa Karl-Theodor zu Guttenberg. Os partidos da coalizão governista estão de acordo com a medida, que será reversível: o serviço poderá ser restabelecido em caso de necessidade. A decisão é parte de uma ampla reforma militar que reduzirá os efetivos do Bundeswehr de 250 mil para 185 mil militares, disse Guttenberg.
O ministro, que na semana passada introduziu no exército uma nova “condecoração para soldados combatentes”, quer um exército mais flexível e adequado para intervenções no exterior. Guttenberg, que fará 39 anos em dezembro, é uma estrela ascendente da política alemã. Como ministro, lançou uma reforma que diminui os aspectos civis do Bundeswehr, reduz seu contigente e, ao mesmo tempo, fortalece seu mando militar e incrementa o número de soldados e unidades suscetíveis de atuar internacionalmente. O ministro seguiu sem complexos a linha de argumento do ex-presidente alemão Horst Köhler, defensor de que o exército seja utilizado para defender os interesses alemães no mundo. A tese de Köhler despertou protestos e terminou com a saída do presidente em 31 de maio, mas quando Guttenberg se apropriou dela ninguém se incomodou. 
O barão Guttenberg, casado com uma bisneta de Bismarck, defendeu “a estreita relação entre a segurança e os interesses econômicos da Alemanha” e advoga que se deve “afirmar os interesses de segurança de forma aberta e sem complexos”. Sua mãe, a condessa de Eltz, se casou em segundas núpcias com Adolf von Ribbentrop, filho de Joachim von Ribbentrop, ministro das Relações Exteriores de Hitler. 
O Bundeswehr foi fundado como exército de defesa em 1955, sob importantes protestos anti-militaristas. Sempre careceu de armas nucleares e de transporte aeronaval. Sua ideia central era a do “cidadão de uniforme”, politicamente responsável e dissociado da antiga tradição militar do país. 
Com a reunificação, esse modelo se alterou em benefício de um pequeno exército aberto à intervenção no exterior em defesa dos interesses alemães. Desde 1991, a doutrina do Bundeswehr menciona como sua missão a defesa nacional, a “proteção da estabilidade mundial, econômica, militar, política e ecológica”, assim como “a manutenção do livre comércio e do acesso a matérias primas estratégicas”. Três anos depois, em 1994, o Tribunal Constitucional abriu as portas ao uso internacional do exército alemão e, em 1998, o governo de verdes e social-democratas aprovou a primeira missão de guerra na Iugoslávia. Desde então, a Alemanha participou em meia dúzia de cenários e mantém o terceiro contingente militar no Afeganistão, com mais de 5 mil soldados. A Alemanha gasta 1,3% de seu PIB em defesa, menos que a França (2,3%) e Grã-Bretanha (2.2%).
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