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. A escolha do caça que irá reaparelhar as Forças Armadas, um negócio estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões, ficou para novembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende se reunir com o presidente eleito para escolher entre os três finalistas da concorrência internacional FX-2. Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) não manifestaram suas preferências durante a campanha eleitoral, mas o governo já indicou preferência “estratégica” pelo francês Rafale (Dassault) e a oposição já pediu que seja respeitado o relatório técnico da FAB, que indicou como vencedor o sueco Gripen NG (Saab). Os americanos também estão na disputa com o F/A-18 (Boeing).
A demora rende prejuízos à FAB, já que a entrega da primeira aeronave, prevista inicialmente para 2014, já foi empurrada para 2016. Enquanto isso, os militares precisam se valer da frota usada e obsoleta de caças Mirage.
Porém, setores do governo preferem o atraso à “solução forçada” pela avião francês, considerada uma “rainha de hangar” entre aviadores, devido à manutenção cara. Dessa forma, em 2011, a troca de comando nos ministerial poderia render uma saída honrosa ao compromisso já anunciado com Nicolas Sarkozy em 7 de Setembro de 2009.
– O Ministério da Defesa tem posições e sugestões, que apresenta ao presidente. Mas o presidente não quer tomar a decisão agora porque entende corretamente que é uma decisão que tem que ser tomada com o presidente eleito, já que incide no ano 2011. Então a análise será feita no mês de novembro _ disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ontem, ao ser questionado sobre o assunto em seminário de reaparelhamento das Forças Armadas na Fiesp, em São Paulo. Ele não quis revelar seus planos políticos, mas brincou que a decisão será de sua mulher.
O comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, negou que os atrasos políticos tenham causado prejuízo:
– Estamos ainda dentro do cronograma e pretendemos receber a primeira aeronave em torno de 2016 _ disse o brigadeiro. Porém, a previsão original era de entrega do primeiro dos 36 caças em 2014. Eles deverão voar por três décadas.
Jobim reiterou a distinção entre as avaliações técnica da FAB e seu próprio parecer sobre os riscos das “promessas”. Apesar de as empresas já terem apresentado suas melhores ofertas de preço e financiamento, ele também insistiu que os preços devem ser negociados após a escolha.
Para o ministro, o FX-2 deve seguir o modelo da compra dos submarinos franceses, com negociações que duraram um ano. O Brasil negocia diretamente com a França a redução de preço do Rafale, por fora do processo de concorrência, mas ainda não conseguiu obter um patamar razoável.
O lobby sueco tenta chegar ao presidente Lula e a Dilma Rousseff por outros caminhos. Além de contar também com a preferência da maior parte da indústria aeronáutica nacional, inclusive da Embraer, a Saab, se aproxima do governo por meio do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT-SP). Há duas semanas, anunciaram investimento de US$ 50 milhões em um centro tecnológico no ABC.
O GLOBO
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