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Nos últimos nove anos, o Brasil subiu da 47ª posição para a 12ª no ranking dos países que mais enviam tropas para missões de paz das Nações Unidas. O salto se deve ao envio de mais de 2.000 militares por ano à Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti), ao custo de R$ 1,3 bilhão.
O investimento é uma tentativa do governo brasileiro de acompanhar uma tendência de países em desenvolvimento de assumir um lugar antes ocupado pelas potências mundiais nas missões.
Hoje, países do sul da Ásia e do continente africano são fornecedores de 71% dos cerca de 100 mil homens que formam as tropas de paz e a polícia das Nações Unidas.
O primeiro do ranking é o Paquistão, que participa atualmente de 11 missões com 10.744 homens.
Militares do continente europeu, dos EUA e do Canadá -que antes da década de 90 eram presença quase obrigatória nas missões-, em 2001 representavam juntos 22% do contingente de capacetes azuis no mundo. Neste ano, não chegam a 8% do total. A ONU não divulga dados anteriores a 2001 para pesquisa.
A retirada gradual das potências começou com o fracasso das missões na Somália (92-93), que resultou no assassinato e exibição pública de corpos de soldados americanos, e em Ruanda (93-96) -onde a ONU foi incapaz de conter o genocídio.
Desde então, os países desenvolvidos continuaram a financiar missões em países “falidos”, porém sem envolver diretamente suas tropas. “Um soldado morto nessas missões tem um custo político e eleitoral muito alto”, afirma Matias Spektor, coordenador do Centro de Estudos sobre Relações Internacionais da FGV-Rio.
Segundo ele, outro fator decisivo foi a dificuldade das potências em abrir frentes após se envolverem nas guerras do Oriente Médio.

OPORTUNIDADE
Além da oportunidade de treinar e profissionalizar tropas, os países em desenvolvimento procuram as missões de paz por interesses econômicos (possibilidade de fechar contratos futuros) e estratégicos (obter prestígio e influência internacional).
Outro atrativo para alguns países é o pagamento que as Nações Unidas fazem pelo uso dos soldados. Alguns deles, como o Nepal (6º no ranking) e o Uruguai (10º) descobriram um “nicho” de mercado e criaram unidades especializadas em missões de paz da ONU que rendem lucros.
Não é o caso do Brasil, que não tem unidades especializadas e recebe de pagamento da ONU cerca de 25% da quantia que investiu para mandar as tropas. O objetivo brasileiro está mais ligado ao treinamento de tropas contra guerrilhas e à obtenção de mais destaque na engrenagem da ONU (no caso, uma cadeira no Conselho de Segurança).
Folha de São Paulo

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