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Superior Tribunal Militar esconde processo contra Dilma
Por Lucas Ferraz, na Folha:
Está trancado desde março, num cofre da presidência do Superior Tribunal Militar, todo o processo que levou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, à prisão durante a ditadura (1964-85). A papelada, retirada dos arquivos por ordem do próprio presidente do tribunal para prevenir um eventual uso político do material, revela em fichas, fotos, depoimentos e relatórios de inteligência a militância de Dilma à época.
Até março, quando foram “escondidos”, os documentos poderiam ser consultados pelo público, como advogados, jornalistas, pesquisadores e pelas partes do processo. A liberação, quase sempre, é feita pelo ministro-presidente do tribunal, Carlos Alberto Marques Soares.
Em entrevista à Folha, ele admitiu que o processo foi parar no cofre por causa das eleições. “Não quero uso político [do STM]“, afirmou ele. “Não vou correr risco no período eleitoral.” Estão nos arquivos do STM mais de 116 mil processos. Além do material sobre a ditadura, há documentos da Intentona Comunista, de 1935, e da chegada de Getúlio Vargas ao poder, em 1930.
Só o processo referente a Dilma e “mais uns outros 50″, segundo Carlos Alberto Marques, estão no cofre. Mas o passado de Dilma em organizações da esquerda armada não é o único argumento para a retirada do material do arquivo. “Também vamos começar a restauração e a digitalização dos processos”, disse.
A digitalização, por enquanto, só existe no discurso. Uma licitação para contratar um responsável para restaurar os arquivos ainda nem saiu do papel, como reconhece o ministro. Apenas depois de restaurados, os papéis serão digitalizados. E o processo só será disponibilizado ao público após a digitalização.
A assessoria da candidata do PT diz que ela “desconhece” a guarda dos documentos em um cofre. “A mim ninguém pediu nada”, afirmou Carlos Alberto ao ser questionado se recebeu alguma solicitação para levar o material aos cofres.
O processo não traz informações somente do passado de Dilma. À época, em 1970, outras 67 pessoas tornaram-se rés no mesmo caso. Quase todos eram integrantes da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares), organização que Dilma integrava.
FOLHA ONLINE
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