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General de Ex R1- Carlos Alberto Pinto Silva*
Este sintético trabalho de pesquisa pretende apresentar idéias e máximas de vultos da história militar sobre o relacionamento de líderes políticos e militares, e oferecer um breve e oportuno questionamento sobre as ações contemporâneas de líderes políticos brasileiros em relação a alguns assuntos de grande relevância para o país, com o pleno juízo de que as teorias não substituem a experiência real de liderança no nível político e militar, mas, também, com o entendimento de que essas teorias sempre permitirão a identificação de erros que devem ser evitados.
Napoleão Bonaparte tinha como percepção que “Nenhuma pessoa pode liderar outra sem mostrar-lhe o futuro. O líder é um mercador de esperanças”, enquanto Montgomery confiava que “Se o enfoque dos fatores humanos é feito de forma inexpressiva e insensata, nada será conseguido”.
Sun Tzu assinalou claramente a relação entre o papel do líder político (soberano) e o do comandante militar (general). Elucidou, também, que, como influência moral, quis dizer liderança política do país, aquela que faz com que a população esteja de acordo com seus líderes políticos. O povo, sob essa influência, é guiado no caminho certo no que se refere à moralidade, especificamente a do líder político.
Caminho ou caminho certo, ou influência moral para Sun Tzu, significa induzir as pessoas a ter o mesmo objetivo que os líderes políticos e comandantes de militares, é aquilo pelo qual os anseios dos que estão por cima e dos que estão por baixo são conectados, obtendo unidade interna de vontade e unidade externa de disposição. O caminho é o ideal, o meio de atingir metas coletivas, aquilo que direciona a influência moral da liderança numa instituição.
Os Líderes Políticos e os Comandantes Militares, muitas vezes, têm expectativas irreais de suas chances de sucesso, o qual deve ser obtido pelo conhecimento do caminho, o uso de uma inteligente estratégia e paixão para atingir seus objetivos. O potencial de colaboradores, militares ou civis, liderados com habilidade na paz ou na guerra pode ser comparado a um trem se deslocando sem atrito, onde pode-se usar pouca força para se conseguir alta velocidade.
Ainda segundo Sun Tzu: “O desafeto nasce da arbitrariedade e da injustiça, especialmente em questões de recompensas e castigos, privilégios e oportunidades. Recompensas são um meio de estimular os liderados. Castigos são um meio de corrigir a desordem, fazendo com que as pessoas respeitem a autoridade. Os dois não são os detalhes decisivos. A primeira pode ser prejudicial por criar a competição secundária. O excesso de castigo pode ser prejudicial pela criação de uma atmosfera de medo e desconfiança.”
O importante é a confiança. De acordo com Confúcio, “a pessoas não irão obedecer aos líderes que não confiam, ainda que sejam coagidos, ao passo que seguirão líderes nos quais confiam”. A maior conquista que um líder pode obter é ganhar o respeito e a confiança do seu grupo e fazer com que todos cheguem ao lugar a que deveriam chegar (caminho certo) agindo por iniciativa própria. Liderar pessoas é o oposto de tentar controlá-las. Os liderados deverão passar a pensar por si próprios quando o líder parar de pensar por eles.
Um planejamento político desafiador pode atrair atenções e unir vontades, mas isso não pode garantir situações de cooperação e atitudes proativas dos liderados na área política, estratégica e de defesa do país, pois não significa influência moral.
“Aquele cujos generais são capazes e não sofrem interferência do soberano vencerá. Portanto é dito que soberanos esclarecidos deliberam quanto aos planos e generais capazes os executam.
A conquista de apoio leva, naturalmente, ao sucesso, mas a desarmonia e a falta de integridade dentro de um círculo interno de liderança irão solapar a eficiência de uma instituição.
Converse com seus liderados. Seja digno de confiança como se fosse uma coisa habitual. Seja digno de confiança como se fosse uma coisa natural. “(Sun Tzu)
Sem bondade não se fascina, não se empurra para frente, não se empolga, não se lidera, não se comanda. A liderança e o poder de comando devem ser exercidos sem tirania, e sim temperados pela indulgência dos verdadeiramente fortes. Montesquieu tinha a seguinte visão sobre empreendimento de vulto: “Se pretendermos fazer grandes coisas, é preciso que nos coloquemos entre os homens e não sobre eles”
É necessário o Líder Político exercitar em todos os níveis o poder da liderança sem concessões e sem silêncios, sem renúncias e sem privilégios, sem conluios e arranjos para ser seguido. Honestidade, caráter e vontade são primordiais para se conhecer o caminho certo, enquanto, seriedade, respeito e camaradagem são atitudes que devem ser cultivadas pelo Líder Político conhecedor do caminho no trato com seus liderados.
É necessário interagir Líderes Políticos e Comandantes Militares para a consecução dos objetivos políticos e de defesa de um país, isso requer a integração de dois conjuntos idiossincrásicos de comportamento (Líderes políticos e comandantes militares).
No mundo da busca incessante do sucesso em que vivemos, fica caracterizado que não há lugar para Líderes Políticos e Comandantes Militares que se contentam com o segundo plano, esses, inexoravelmente seriam, e com certeza continuarão sendo, engolidos por aqueles que não só tiveram a primazia de alçar as primeiras posições, seja por merecimento ou não, mas que permaneceram no topo, pois não basta chegar lá, é necessário ter vontade e influência moral para manter o lugar conquistado. Não se faz uma nação desenvolvida e poderosa sem grandes Líderes Políticos e Comandantes Militares, e esses o são por terem vontade, fé e determinação.
Quando as ações de um Líder Político personificam as crenças de uma instituição, o resultado é uma cultura baseada em valores. Dentre estes valores, destaca-se a integridade, que constrói os alicerces da confiança e do respeito e faz com que o caminho certo seja percorrido.
Para que a ação de um Líder Político se transforme realmente em influência moral e numa cultura baseada em valores, ela deve ser racional, no sentido de ser baseada numa avaliação de custos e benefícios para o Estado e a sociedade, deve, também, ser instrumental, isto é, deve ser empreendida com vista a alcançar-se um objetivo, e nunca fundamentada por si própria. Por último, deve ser de maneira que seu objetivo represente a satisfação dos interesses do Estado, para que se justifique que todo o esforço de uma nação seja mobilizado a serviço do objetivo nacional a ser atingido.
Deste modo somente por meio de uma completa compreensão da polític a nacional, poderiam os Líderes Políticos Brasileiros, levar o Estado ou qualquer das partes da atual “tríade extraordinária” [Poderes Constituídos (Executivo, Judiciário e Legislativo), a Sociedade e as Instituições de Estado (Ex: Forças Armadas)] como um todo ao Caminho Certo de Sun Tzu.
Assim, resta questionar se as ações que derivam no apoio ao programa nuclear do Irã; no apoio a Venezuela e sua ideologia Bolivariana; no apoio a ditadura comunista de Cuba; no apoio ao Equador, Bolívia e Paraguai em detrimento do povo e de empresas brasileiras; no controle da mídia; no apoio a invasão de terra produtiva (com a criação de órgãos paralelos a justiça para intermediar o conflito); no apoio ao aborto; na perseguição política com revisão unilateral da lei de anistia; no aparelhamento do Estado com o aumento dos cargos de confiança e nomeações partidárias e ideológicas; exercem influência moral e demonstram que nossos Líderes Políticos conhecem o Caminho Certo.
Fontes de Consulta:
– Sun Tzu II – A Arte da Guerra – Os documentos perdidos. Thomas Cleary
– O Fio da Espada – Charles de Gaulle
– A Arte da Guerra – James Clavel
– Sun Tzu e A Arte da Guerra Moderna – Mark McNeilly
– Arte da Guerra – Jomini – Tradução Maj Napoleão Nobre
– Clausewitz e a Estratégia – Tradução Maria José Cyhla
* Ex-comandante de Operações Terrestres (COTer), do Comando Militar do Sul, e do Comando Militar do Oeste.
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