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CLEI MENEZES
A constituição brasileira não permite que militares e policiais tenham filiação partidária ativa e constante enquanto estiverem no exercício das funções. Contudo, isso não os impede de participar e se candidatar, bastando sua indicação em convenção partidária e imediato licenciamento.
No Rio Grande do Sul, a recente entrada do Partido Republicano Progressista no cenário político é motivo de análise e consideração. Formado em setembro de 2009, traz como característica singular o expressivo número de policiais e militares reformados entre os filiados.
Nos próximos dias, a propaganda eleitoral gratuita deverá estampar as telas com quatro candidatos militares, dos seis inscritos pelo partido junto ao TRE gaúcho até o momento. Destes, o candidato a governador é major da ativa da Brigada Militar, e a única candidata mulher é casada com um oficial da aeronáutica.
Essa composição inclui o próprio presidente do partido (que também é candidato e defende a reforma política) e um dos generais ligados a agremiação, ambos já integrados às forças armadas à época de 64.
São fatos que poderão trazer ao imaginário coletivo o debate sobre os governos do regime militar, sua participação na política e as implicações positivas e negativas na vida e bem-estar dos brasileiros.
Distante dessas preocupações e com o discurso voltado à segurança pública e à administração baseada na disciplina, seus militantes se consideram políticos preparados para “combater a violência com pessoas especializadas na área e com o rigor na execução de seus projetos”.
Outro partidário, de 93 anos, que conviveu com Médici, mas diz não acreditar no militarismo, cita Platão para lembrar que aqueles que não participam da política serão governados pelos que participam.
Inclusive, ele afirma que a atuação de militares na política contemporânea não deve significar ou sugerir qualquer recaída institucional, limitando-se simplesmente a importante participação de um segmento representativo da sociedade.
Com sede em Porto Alegre e organizado em algumas cidades do interior, os partidários do PRP pretendem implantar suas propostas através da participação política, com candidatos majoritários e proporcionais.
Enfim, a participação no Legislativo e no Executivo através de eleições democráticas e transparentes, pautada no diálogo aberto, não dever ser a reivindicação de um partido, de uma classe ou de militares, mas de todos os eleitores.
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