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Secretário dos Direitos dos Manos (ops!) Humanos fala sobre a Comissão da verdade:
“Queremos um país aplaudindo as Forças Armadas.”
Na semana passada ele (o ministro Nelson Jobim, que chegou a colocar o cargo à disposição por causa da criação da Comissão da Verdade) voltou a fazer críticas ao programa, mas reconheceu que o que houve foi uma dificuldade de comunicação. O único ministério onde houve discordância foi no da Defesa e não foi tão grande quanto se criou a impressão. Trabalhamos juntos naquela redação. Na última hora houve um trecho que era “repressão política”. O presidente bateu o martelo comigo, relatou ao Jobim e recebeu o pedido de colocar “repressão e conflitos políticos”. O que não teria o menor problema, só que o presidente viajou pra Copenhague e essa orientação chegou quando o PNDH já estava impresso, com a assinatura dos ministros etc. Não havia a menor condição de corrigir tudo isso. Avisei o presidente e o Jobim que não daria tempo de mudar o texto. Foi aí que houve a crise. Mas isso foi contornado em janeiro, quando o presidente fez outro decreto criando o grupo de trabalho para o anteprojeto. Há pessoas que até hoje afirmam que não houve ditadura ou mesmo tortura. Os generais Newton Cruz e Leônidas Pires Gonçalves, por exemplo, disseram isso outro dia. Eu prezaria mais se eles dissessem, por isso, “como vocês iam enfiar o Brasil em uma ditadura comunista, que acaba com a família e a propriedade, a tortura foi necessária”. Mas eles dizem: não houve tortura. A referência é a ONU, e antes de a ONU existir, eram as definições do direito internacional. O que vai acontecer é que a Comissão da Verdade, se o Legislativo decidir fazer, provavelmente terá a composição do que se chama vulgarmente de notáveis, ou seja, não representantes das áreas. Senão, por experiências anteriores, as coisas não avançam. O relatório final que será entregue ao presidente da República, que pode até escolher não divulgar, tem que demonstrar que é uma comissão imparcial. Sem nenhuma frase para dizer que estava certo ou estava errado. Ela tem que reconstruir o processo histórico e falar das violências dos dois lados. Talvez o maior beneficiário disso sejam as Forças Armadas. Mais do que quem perdeu alguém, porque pra eles a dor é irreparável, mas para as Forças Armadas, isso tira o peso do ranço pela instituição. O julgamento político do regime a Constituição já fez. É a democracia que triunfou ali, então o regime está julgado. Está feita a transição. E nós não estamos com o olho no retrovisor, estamos com o olho pra frente. Queremos um país aplaudindo as Forças Armadas, que eu elogio pela sua presença no Haiti, por exemplo, aquilo é defesa dos direitos humanos. Pra que continuar pro resto da vida com um negócio que provavelmente não envolve ninguém na cadeia?Leia mais.
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