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Ex- Combatentes da II Guerra Mundial recebem homenagem no Congresso Nacional

Ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial foram homenageados hoje (15/03) em uma sessão solene no Congresso. A cerimônia foi realizada no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. O Major-Brigadeiro-do-Ar Ricardo Machado Vieira representou o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito.
A Força Aérea Brasileira participou da Segunda Guerra Mundial por meio do envio à Itália do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA), que lutou pela libertação daquele país. No Brasil, aeronaves da FAB ficaram responsáveis pela vigilância da costa brasileira.
Dos 30 ex-pracinhas homenageados, 24 vieram do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Eles chegaram à Base Aérea de Brasília a bordo de uma aeronave C-99 da Força Aérea Brasileira (FAB). Os veteranos de guerra seguiram, então, para o Congresso Nacional em uma carreata com diversos carros utilizados no conflito, entre eles uma Viatura Blindada de Combate M8 pertencente ao 16º Batalhão Logístico de Brasília. O comboio foi escoltado por 10 batedores do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília.
A sessão solene foi coordenada pela Frente Parlamentar Mista de Revalorização Histórica da Força Expedicionária Brasileira, cujos objetivos são homenagear a memória daqueles que tombaram em combate durante a II Guerra Mundial e lutar pela valorização do soldado brasileiro e das Forças Armadas. 
“A data é muito importante para nós, pois do efetivo da Força Expedicionária Brasileira (FEB) convocada para ir à Itália, 80% não tinha nem o curso primário. Foram as pessoas mais modestas deste país que participaram efetivamente do conflito. E em termos de guerra, o resultado mais positivo alcançado proporcionalmente foi o dos brasileiros”, afirma o Capitão Divaldo Medrado, representante dos pracinhas na sessão.
Para o músico João Barone, baterista do grupo Paralamas do Sucesso, cujo pai pertenceu à FEB, a homenagem é uma forma de preservar a trajetória da participação dos pracinhas no conflito. “É muito bom manter essa história viva no momento em que a gente se preocupa em como ela vem sendo esquecida. Não podemos deixá-la que se apague de jeito nenhum”, ressalta Barone, que prestigiou a homenagem no Congresso.
A solenidade foi encerrada com a execução da Canção do Expedicionário.

Histórias
O encontro dos ex-pracinhas foi também um momento de relembrar as diversas histórias vivenciadas no front, como a do veterano Vinicius Vênus Gomes da Silva, 85 anos. Na época com 19 anos, o ex-pracinha servia na então Escola de Aeronáutica do Campo dos Afonsos, no Rio de janeiro. “Eu estava fazendo o curso para Cabo naquela ocasião e quando perguntaram quem gostaria de ir para o conflito defender o Brasil eu logo me coloquei à disposição. Depois dos exames médicos, segui para servir na equipe de saúde no primeiro grupo de caça”, recorda-se o ex-pracinha.
Uma das lembranças que não se apagam da memória do veterano de guerra é a de um companheiro atingido por uma granada.
“Em determinada ocasião fui visitar um outro hospital perto do nosso no qual se atendia ex-combatentes. Havia vários feridos de guerra e encontrei um companheiro alvejado por uma granada. Os estilhaços deceparam seus membros inferiores e superiores. Além disso ele ficou cego. Esse foi o fato que mais chocou na minha vida de combatente. Lembro-me daquela situação em que a todo momento ele pedia que lhe tirassem a vida”, explica.

O próprio Capitão Medrado é personagem de uma história surpreendente. “Estávamos em monte Castelo quando o inimigo atacou da janela de umas casas. Tomei 13 tiros, mas ele também não teve um bom resultado, pois demos uma “bazucada” que não sobrou nada dele nem da metralhadora que estava portando”, ressalta o capitão.
“Minha mulher brinca comigo dizendo que o inimigo era muito ruim de tiro.”

Fonte: CECOMSAER

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