O MILITAR E A POLÍTICA

Luiz Jorge Saliba
É um erro acreditar que o militar, por sê-lo, seja capaz de, sendo presidente, mudar alguma coisa. O Brasil não é um quartel e o povo não é tropa a ser comandada. É preciso ser mais escorregadio que sabão e sabemos que, nós, militares, não temos esta qualidade que orna os vis em geral e os mais inteligentes, em particular.
Além do mais, estamos vivendo uma era de degeneração em todos os campos, desde o político, até às peladas de rua. Era de degeneração bastante condizente com os tempos, com o rumo e com o fim (como fim e como meta). Nós, militares, fomos formados para sermos como que arautos da disciplina, da ordem, da justiça e do bem. Infelizmente, somos arautos do que já está ultrapassado, encarquilhado, antigo, preconceituoso e presunçoso.
Somos dados à opinião e simplesmente não aceitamos determinadas coisas que estão na ordem do dia e que, sem a menor dúvida, são desejadas pela maioria. Apegamo-nos a uma ideologia que é, sobretudo, antagônica à outra e, neste modo de ser, encruamos. Mas não evoluímos como força armada, como política de pessoal, política educacional, enfim, como política de modo geral. Só partimos para o confronto, nunca para a associação justa com o poder que discriminamos.
As qualidades dos militares foram excluídas do primeiro escalão exatamente por este modo de ser. E, sinceramente – já disse isto algumas vezes – perdeu muito mais o governo ao se deixar assessorar por gente que não entende nada de Forças Armadas e que, também, está encarquilhado em uma visão do militar como um sujeito bronco, fácil de levar, é só dar um grito e todos se micham (ou se mijam).
Como aspirar um General (ou um militar) presidente? Algum deles poderia reverter o descalabro em que nos encontramos como nação? Alguém quer esta bomba para si mesmo? Só se for louco!
Deixemos que os civis continuem a fazer o que estão fazendo. A derrocada (ou algo mais positivo) pode ser o futuro de todos nós, civis e militares se, e somente se, não houver caráter nos homens públicos como existem nos militares de todas as patentes, postos e graduações, um caráter forte e positivo, justo e bom.
Como tal General governaria o País? Emitiria um novo AI-5? E ainda diria que é para o bem da nação!
O bem da nação é o que acontece agora, neste exato instante. É como é. Temos muito a aprender. A derrocada é e sempre será o maior mestre para todo brasileiro.
Devemos saber com toda a força de nossa alma que a corrupção e os corruptos podem governar o País, podem imaginar que o fazem avançar, mas a realidade é uma só: eles o desgraçam a longo prazo!
Luiz Jorge Saliba é Coronel da Reserva do EB.
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3 respostas

  1. O articulista não deixe de ter razão. Porém, enquanto os militares não tiverem uma representatividade atuante no Congresso Nacional, certamente, nossas esposas continuarão a bater panelas na frente do Congresso pleiteando o aumento dos vencimentos. Até para isso nos falta coragem. São as nossas esposas que vão para a linha de frente. Quem é que disse que para estar na política é preciso ser corrupto. Também, é bom que se diga, nem todos os civis que militam na política, graças a Deus, são desonestos. E não adianta ficar chorando o leite derramado dentro dos Clubes e Círculos Militares. Só seremos respeitados se tivermos representatividade parlamentar e, para isso, é preciso coragem para disputar uma eleição. O militar precisa acabar com essa mentalidade errada de dizer que somos apolíticos. Não, nãos somos e não devemos ser. Enquanto pensarmos assim, enquanto permanecermos com essa bobagem de que militar não vota em militar, vamos continuar marcando passo, com a Força, de modo geral, obsoleta, desnutrida, desmotivada e, com os nossos grandes chees militares, a exemplo dos ilustres Generais Cerqueira Lima e Santa Rosa, sendo destituídos simplesmente porque ousaram dizer a verdade.

  2. Concordo em genero, número e grau com o comentário acima. O Cel Saliba está coberto de razão porém, há muito tempo o historiador ingles, Arnold toynbeee já disse: "O castigo maior para quem não gosta de política é ser governado pelos que gostam dela". É bom pensar nisso, sem desmerecer o artigo.

  3. Lógico que uma força pauta-se sempre pela disciplina rigorosa, temos esta cultura dentro da nossa própria natureza. Mas até que ponto devemos ser incluídos dentro da pólitica sem ferir esta tal natureza?

    Somos militares com título de eleitor, pagamos impostos, taxas nas conta de luz, vamos ao mercado, e além do mais votamos, escolhemos nossos representantes… como lidar com isso? Aí nos deparamos com as polícias estaduais que se articulam dentro da disciplina e tem seus representantes legais… e na polícia também não tem coronel, tenete, capitão eles tem sindicatos fazem greve tem seus represntante e não vejo a tropo se amotinar dentro dos estados… o que quero dizer com isso o que nos faltal é uma consciência política mais apurada sem baderna… por que na sociedade de hoje a política é setorial, que dizer, se você não tem reprentante não tem voz

    Uma vez dentro do congresso Romeu tuma disse que um determinado oficial general foi pedir verba, em seu gabinete. Fato que considero uma vergonha, para esta classe tão desprestigiada pelas nossas póliticas…
    DF

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