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Exército conclui que assalto foi simulado
Suspeitos podem responder por falsa comunicação de crime, destruição de bens e formação de quadrilha
Os quatro militares que forjaram um assalto para acobertar um acidente com carro oficial e a perda de uma arma podem ser penalizados por falsa comunicação de crime, disparo em via pública, destruição de patrimônio da União e até formação de quadrilha. A projeção foi feita pelo comandante do 23 Batalhão de Infantaria, coronel José Henrique de Cássio Ruffo, ontem de manhã. Na coletiva de imprensa, ele confirmou que o roubo de armamento no centro de instrução do Exército no Parque Nacional Serra do Itajaí, no fim de semana, foi simulado pelos militares que haviam denunciado o assalto.
– O Exército não compactua com este tipo de comportamento e tratará com devido rigor o incidente – afirmou o coronel.
Os quatro militares envolvidos na farsa confessaram à investigação do inquérito policial militar (IPM), aberto pelo 23º BI para apurar o fato, que inventaram a história para acobertar o acidente. O batalhão tem 60 dias para concluir o inquérito. Após isso, o documento será encaminhado para a 5ª Circunscrição Judiciária Militar, em Curitiba, onde um juiz determinará a pena. Ruffo avaliou o episódio como grave:
– Eles podem ser expulsos da corporação. Depende das razões de defesa de cada um.
Grupo destruiu bens e equipamentos públicos
Segundo Ruffo, às 19h de sábado, dois brigadistas de incêndio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o parque, estiveram na área de instrução do Exército e combinaram uma festa. Três horas depois, os dois saíram em um Gol do ICMBio com os militares. O motorista, um brigadista, seguiu em direção à localidade de Faxinal do Bepe. Alguns quilômetros depois, resolveram retornar. O motorista então perdeu o controle do carro e caiu em uma ribanceira de cerca de 30 metros. O motorista se feriu levemente. No acidente, um dos militares perdeu uma carabina calibre 12.
– Eles decidiram, em comum acordo, montar uma versão para o ocorrido – afirmou Ruffo.
De volta à base, chegaram a destruir um computador e outros materiais da União para dar força à versão de assalto. Até a conclusão do IPM, os militares cumprirão apenas expediente interno no Batalhão. Eles só terão os nomes divulgados pelo Exército após o fim da investigação.
A primeira versão dos militares
– Para acobertar o acidente, os três soldados e um cabo do exército que faziam a guarda no local disseram ter sido rendidos por três homens armados, que levaram o armamento domingo de madrugada.
– Antes de chegar ao campo de treinamento, os assaltantes teriam ido até a sede do parque e rendido os dois brigadistas de plantão. Depois de amarrá-los, levaram os coletes de identificação e foram até onde estavam os militares com um Gol branco, também do parque
– Disseram que, pensando se tratar de uma emergência, um dos militares teria aberto a porta para o homem com o colete. Os militares, então, teriam sido rendidos e os ladrões pegaram a espingarda e alguns projéteis, danificaram rádio e computador e depois fugiram com o carro roubado.
– Na fuga, os assaltantes perderam o controle do Gol e caíram na ribanceira. Eles abandonaram o carro, deixando o armamento e coletes dos brigadistas.
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