Escolha uma Página
France Presse, em Genebra
da Folha Online
“A decisão final sempre é política”, afirmou nesta quarta-feira em Genebra o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, referindo-se ao projeto brasileiro de compra de caças.
“Evidentemente, vamos estudar, levando em conta as questões técnicas, mas a decisão final cabe ao ministro da Defesa e ao presidente da República”, disse Amorim. “Não é uma decisão exclusivamente militar”, reiterou.
Segundo reportagem publicada hoje pela Folha, a França e a fabricante local de aviões Dassault apostam que a preferência política do Brasil irá dar a vitória ao caça Rafale na concorrência F-X2.
Conforme o jornal revelou ontem, o relatório técnico do Comando da Aeronáutica colocou o Rafale em terceiro e último lugar na disputa final do F-X2. O preferido foi o sueco Saab Gripen NG, seguido pelo norte-americano Boeing F-18. O fator principal foi o preço.
Estima-se no mercado que o pacote oferecido para o Gripen, com armas e suporte, esteja na casa dos US$ 70 milhões por unidade. Isso é cerca de metade do custo unitário estimado do Rafale e 30% a menos que o F-18.
A Dassault não faz comentários sobre o relatório, alegando que a FAB é independente em sua avaliação e que não teve acesso ao conteúdo do documento. A assessoria da empresa afirmou que segue “otimista”, já que a negociação não está concluída.
“Consideramos que o Rafale é superior ao concorrente sueco em todos os níveis: técnico, operacional e em desempenho”, afirmou. Nos bastidores, representantes seus e do governo francês afirmam confiar na intenção de Lula para ver o negócio ser fechado.
A Folha informa que um assessor próximo ao ministro da Defesa francês, Hervé Morin, concorda que o Rafale é mais caro, mas defende que o produto é melhor e lembra que as negociações se inserem na parceria estratégica entre Brasil e França.
Morin minimizou a importância das informações de que os militares brasileiros preferem o caça sueco Gripen ao francês Rafale, e disse que sua oferta inclui transferência tecnológica ao Brasil, que teria, assim, “uma plataforma industrial” para a América Latina.
“A decisão do Brasil será política”, ressaltou Morin, em entrevista à rede de televisão francesa “BFM TV”, onde lembrou que a França estabeleceu “uma aliança estratégica com o Brasil”, que se traduziu na venda, no ano passado, de helicópteros militares e submarinos no valor de 4,5 bilhões de euros.
Perguntado sobre o preço do Rafale, que é considerado muito alto a respeito de seus concorrentes, Morin respondeu com uma interrogação retórica: “É possível comparar uma Ferrari, que é o Rafale, com um Volvo, que é o Grippen?”.
Com a Efe, em Paris
Skip to content