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O soldado da Aeronáutica Alisson Luiz do Santos Maia, 20 anos – que atropelou três pessoas de uma mesma família, matando duas delas, em Ipitanga -, negou que estivesse fazendo um “pega” em depoimento, ontem (22), na 23ª Delegacia (Lauro de Freitas).
O acidente que matou a dona de casa Adriane Aparecida Urbano Gomes, 41, e a filha Dyane Dias Gonçalves, 23, ocorreu na última sexta-feira. Único sobrevivente, Thiago Dias Gomes, 9, filho de Adriane, continua internado em estado grave no Hospital Roberto Santos. Alisson chegou na companhia de dois advogados e foi interrogado por cinco horas pelo titular da unidade, Cláudio Meirelles.
Alisson contou ao delegado que, no dia do acidente, saiu de uma confraternização em Ipitanga e dirigia o EcoSport a 70km/h, levando uma mulher que conheceu na praia e um amigo, também da Aeronáutica, para uma festa em Itapuã. Segundo ele, o carro ficou desgovernado após ter sido fechado por outro veículo.
Com o impacto, Alisson alegou ter perdido a consciência e acordado no Hospital da Base Aérea. Lá, o militar disse que não foi submetido a exame de alcoolemia. Alisson disse ainda que comprou o EcoSport sem saber que tinha restrição de roubo, mas não apresentou o documento. Ele deverá responder por homicídio doloso e receptação de roubo.
O advogado de Alisson, Joaquim Ferreira, em entrevista, apresentou contradições referentes ao depoimento de seu cliente. Ferreira afirmou que Alisson estava na companhia de dois colegas de trabalho, entre eles uma mulher, e que, após o EcoSport ter sido fechado, o freio não funcionou. Disse ainda que Alisson fez o exame de alcoolemia no Hospital da Base Aérea e resultado deu negativo.
Por fim, afirmou que Alisson apresentou os documentos do EcoSport. Para o gerente comercial Denílson Dias Gonçalves, que perdeu a mulher e a filha, a falta de testemunhas e o medo que elas têm de represálias é a principal dificuldade para se conseguir justiça. “Trouxe duas testemunhas e convidei várias para vir depor. Mas as pessoas não se apresentam”.
Ontem, duas testemunhas localizadas por Denílson foram à delegacia.Uma foi Dagoberto de Oliveira, dono do imóvel onde a família, vinda do Rio Grande do Sul há oito meses, mora. “Vi, no condomínio, que um porteiro estava com a placa do carro. Ele está com medo, foi procurado por homens que queriam levar o objeto. Acreditamos que fossem militares, querendo encobrir o crime”.

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