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Exército nomeia, contra a vontade, oficiais que inventaram motivos para não comandar batalhões e regimentos

Por Jorge Serrão
O pirão desandou de vez na cozinha da caserna. Uma nova crise militar foi aberta. Baixos salários tiram a motivação para a carreira e agora até inibem a aceitação de promoções. Coronéis e Tenentes-coronéis do Exército pediram, oficialmente, por memorandos internos, que fossem excluídos da lista de seleção para comandantes de batalhões e regimentos. Acabaram nomeados na marra para as funções que recusaram.
A recusa em aceitar promoções provocou uma reação irada do Diretor do Departamento Geral de Pessoal do Exército. O General Maynard Marques de Santa Rosa – reconhecido patriota que está prestes a ir para a reserva compulsória, por limite de idade e tempo no generalato – indeferiu todos os requerimentos de exclusão da lista de comando. Santa Rosa também determinou que, a partir deste incidente, poderá ser transformado em comandante mesmo quem não for voluntário para tal missão.
Os militares descontentes alegaram motivos pessoais para a recusa dos cargos. Mas o motivo real foi a desilusão com o contra-cheque. Um coronel ganha hoje, brutos, R$ 5.979. Já um Tenente-coronel, R$ 5.802. Tais vencimentos seriam uma vergonha para qualquer gerente de alto nível na iniciativa privada. Como foram nomeados contra a vontade, o EB conta com uma tropa de comandantes desmotivados para trabalhar.

Traição
Santa Rosa chegou a chamar de “traidores” os oficiais que recusaram comandos.
O General frisou que “é justamente o comando que simboliza o ponto culminante da carreira militar”.
Destacou que a fidelidade à Força tem de se “sobrepor ao interesse maior do Exército às naturais conveniências particulares do indivíduo, como trabalho e renda da esposa, estudo dos filhos, doenças de familiar ou qualquer outro motivo que não transcenda à vontade do profissional”.

Desmotivação
O problema da recusa nas nomeações e a reação do General Santa Rosa foi noticiada pela jornalista Berenice Seara, na coluna “Extra, Extra”, do jornal do mesmo nome, que pertence às Organizações Globo.
Berenice citou um memorando interno de Santa Rosa advertindo sobre o problema e condenando a postura dos oficiais que recusaram os comandos.
A colunista lembrou que, só em 2008, mais de 90 oficiais – entre capitães, majores e tenentes-coronéis – abandonaram o EB atrás de melhores salários em instituições civis ou porque foram aprovados em concursos públicos para outras áreas mais atraentes da máquina republicana.

ALERTA TOTAL

Comento:
Tanto Jorge Serão como Berenice Seara erram na avaliação, quando atribuem primordialmente aos baixos salários a resistência dos oficiais de Estado-Maior  a assumirem o comando de unidades.
Primeiramente, a análise parte  de uma premissa equivocada, pois o rendimentos brutos de coronéis e tenente-coronéis são, respectivamente, de R$10.057,95 e 9.187,20 e não como informa o artigo. Você pode conferir a tabela de vencimentos dos militares aqui. Continua sendo um salário baixo para um oficial com a responsabilidade de comandar centenas de homens, administrar milhões de reais em viaturas, armamento, munição, explosivos, alimentos etc e responder administrativa e penalmente por qualquer irregularidade ocorrida, mesmo em caso de  falha de um subordinado.
É por aí, pelo pesado ônus que repousa sobre os ombros de um comandante, que vamos encontrar o motivo maior para que tantos oficiais fujam, como o diabo da cruz, da nobre tarefa de comandar.
A enxurrada de ações judiciais sobre os comandantes tem sido tão grande, que vários deles vêem suas carreiras abreviadas, uma vez que, mesmo absolvidos ou isentados de responsabilidade, muitos acabam “queimados” junto ao Alto-Comando, o que resulta em preterição para integrar a lista de candidatos ao generalato, não por acaso chamada de “quadro de acesso POR ESCOLHA”,
Nesses casos, como diz o gaúcho, “qualquer asinha de grilo dá uma sopa” e, na briga de foice para superar o estreitíssimo gargalo que leva aos postos máximos da carreira, fatos como esses são  um prato cheio para os carreiristas, de olho na vaga.
Assim, é muito mais seguro ficar acomodado num gabinete com ar condicionado,  com dezenas de auxilares para fazer todo o serviço do que ir para o meio da selva, da caatinga ou do pampa e expor-se a artilharia jurídica que tem sepultado muitas carreiras brilhantes.
O Comando que exige que seus oficiais sobreponham suas conveniências particulares ao interesse maior do Exército é o mesmo que fecha hospitais militares numa canetada, sem ao menos verificar as consequências deste ato junto à milhares de famílias que serão afetadas. A maioria dos chefes dessas famílias já cumpriram seu dever, já colocaram o interesse da Pátria e do Exército à frente dos seus e agora, na reserva, recebem  como pagamento uma bofetada de seus comandantes.
Quem assim age, não tem moral para exigir algo diferente de seus comandados.

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