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Contingente de Exceção
A partir dos cortes de gastos das últimas décadas, algo que provocou um certo sucateamento no âmbito das Forças Armadas, as competições esportivas foram perdendo terreno nos meios militares, limitando-se a jogos esporádicos atrelados aos treinamentos de preparo físico, voltados em tempo de paz a uma prova chamada Teste de Aptidão Física (TAF), indispensável para a matrícula em cursos e as promoções na carreira. Agora, o Exército, assim como a Marinha e a Aeronáutica, se vê na contingência de representar o Brasil nos V Jogos Mundiais Militares, que se realizam no Rio de Janeiro, entre 17 e 24 de julho de 2011. Como não possui em seus contingentes atletas militares convenientemente preparados para competir com êxito no evento esportivo, incorpora em suas fileiras – a toque de caixa – competidores egressos dos meios esportivos civis, alguns dos quais com passagem pela Olimpíada de Pequim. À luz do que foi noticiado, tem-se conhecimento de que os 72 atletas convocados para essa missão (54 homens e 18 mulheres) tornaram-se 3º sargento com apenas um dia de quartel, com direito a um soldo mensal de R$ 2,5 mil e permanência de sete anos no Exército, renovável a cada ano. Em condições normais, um Curso de Formação de Sargentos (CFS), ainda que temporário, tem seis meses de duração. A matéria observa ainda que ficam liberados a esses militares-atletas o uso de tatuagem e o corte de cabelo fora dos padrões regulamentares. Ainda que tais fatos, contrários à noção de isonomia funcional, sejam voltados ao “bem de todos e felicidade geral da Nação”, com vistas aos Jogos Mundiais Militares que vêm aí, não há como ignorar que isso acaba de criar no âmbito das Forças Armadas algo que se pode chamar de “contingente de exceção”. (Lino Tavares, jornalista)

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