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O governo só decidirá o modelo de caça a ser usado na renovação da frota da Força Aérea Brasileira depois de receber, na segunda-feira (21), as ofertas finais dos três concorrentes envolvidos no processo, disse nesta quarta-feira (16) o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).
O ministro admitiu que existe uma preferência política pela francesa Dassault, produtora dos jatos Rafale, como já havia afirmado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após encontro com o presidente francês Nicolas Sarkozy na celebração de 7 de setembro. Mas reiterou que a decisão final vai depender da análise das propostas da própria Dassault, da norte-americana Boeing, que fabrica o F-18, e da sueca Saab, produtora do Gripen NG.
– O negócio não está fechado. Há uma opção pela França, basta que ela cumpra a promessa de transferência de tecnologia. Vamos analisar as ofertas e ver o que significa a transferência irrestrita de tecnologia e o preço competitivo anunciados pelos franceses – disse Jobim, para quem a forte competição entre os três produtores é “ótima” para o Brasil.
Antes de chegar ao tema da aquisição dos aviões, Jobim comentou com os integrantes da comissão os outros pontos do amplo acordo feito com a França em matéria de defesa. Ele recordou ter consultado outros países – como Estados Unidos, Israel e Rússia – sobre a disponibilidade para transferir tecnologias sensíveis. E reiterou que apenas o governo francês assumiu compromisso nesse sentido, o que levou o Brasil a firmar, com aquele país, acordos de parceria estratégica em dezembro de 2008.
Submarinos
Jobim detalhou o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), em parceria com a França, que inclui a construção de um estaleiro e de uma base naval no Rio de Janeiro, além de quatro submarinos convencionais – dos quais o primeiro parcialmente na França e três integralmente no Brasil – e de um submarino de propulsão nuclear, a ser equipado com um reator brasileiro. O Prosub, como informou, custará 6,7 bilhões de euros e deverá gerar 11.500 empregos diretos e 33.500 indiretos.
– O Brasil não está comprando armas, mas se capacitando no desenvolvimento de tecnologias duais – afirmou Jobim, ressaltando a possibilidade de usos civis para as tecnologias militares a serem desenvolvidas no país.
O ministro citou ainda o acordo com a França para produção, no Brasil, de 50 helicópteros Super Puma, dos quais 18 seriam destinados à Aeronáutica, 16 ao Exército e 16 à Marinha. O programa de construção dos helicópteros custará 1,7 bilhão de euros, informou, após mencionar diversas empresas brasileiras que fornecerão partes dos helicópteros, a serem montados pela Helibrás, em Minas Gerais.
Ainda segundo Jobim, a aquisição de helicópteros comporá o programa de mobilidade estratégica do Exército. Ele anunciou também que estão em andamento conversações iniciais com países como a França e Israel a respeito do programa do Exército para a construção de veículos aéreos não tripulados.
Marcos Magalhães / Agência Senado
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