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Reinaldo Azevedo

Se o PT perder as eleições em 2010, como vai se comportar na oposição? Ora, como sempre. Um grupo vai tentar afetar tolerância e civilização. Mas não vai demorar para que a tropa da pesada tente inviabilizar o governo — derrubando-o se possível. Ainda voltarei a este particular. Vejam o caso do Rio Grande do Sul. Nem vou aqui entrar no mérito de culpas e inocências. O fato é que a dita “prova” mais contundente que há contra a governadora Yeda Crusius (RS) é uma conversa de dois aliados seus — um deles já se preparava para ser inimigo — aludindo a uma possível conivência sua com um esquema criminoso.
Atenção! Escrevo de novo: a prova é uma conversa gravada, e quem tomou a iniciativa de fazer o registro é justamente um de seus protagonistas. É como se você, leitor, tivesse um “amigo” poderoso e resolvesse gravar o seu próprio bate-papo com uma terceira pessoa sustentando que aquele seu amigo é corrupto, criminoso. Já imaginaram? No limite, você poderia chegar para aquele “amigo” poderoso e dizer: “Olhe, tenho aqui uma prova contra você: gravei uma conversa minha dizendo que você é corrupto”. Vocês entenderam ou preciso desenhar?
Pois bem… Essa era a prova de que dispunha o Ministério Público para pedir o afastamento da governadora, o que foi rejeitado pela Justiça, é claro. Mas como manter Yeda contra a parede? Como sustentar aquele que é o mais surrealista dos cercos a um governante de que jamais se teve notícia na democracia? Ora, apresentando um pedido de impeachment à Assembléia! Mas quem o fará? Uma entidade sindical ligada ao PT e a outros grupelhos de esquerda chamada Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do RS. Mas o presidente da Assembléia vai admitir o pedido? Vai, sim, se ele for do mesmo partido. E ele é: Ivar Pavan (PT-RS). Mas com base em que indício? Ora, naquelas fitas!
Pavan diz que aceitou o pedido, que agora será submetido a uma comissão, por uma questão “republicana”. Huuummm… Quem vive fazendo as coisas mais esquisitas em nome de “questões republicanas” — um clichê que serve para tudo em seus discursos — é Tarso Genro, o ministro da Justiça desmoralizado ontem pelo Supremo (e humilhado gramaticalmente por Lula…), candidato do PT, vejam a coincidência, ao governo do Rio Grande do Sul…
Observem que nem entro no mérito da culpa ou da inocência deste ou daquele. Mas, se a prova contra Yeda é a tal conversa gravada, estamos diante de uma piada grotesca. É tudo o que Ministério Público conseguiu produzir? É tudo o que seus adversários têm para derrubá-la? Mas Pavan e Tarso, vocês sabem, são dois “republicanos”.

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