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General diz que tem “juízo” para não entrar na discussão sobre compra de caças franceses
Marcos Chagas – Agencia Brasil
O general do Exército e ex-comandante militar da Amazônia, Augusto Heleno, evitou fazer hoje (9) qualquer comentário sobre a possível compra pelo governo de 36 caças franceses para reforçar a defesa nacional do país. Provocado por senadores da Comissão de Ciência e Tecnologia, onde participou de audiência pública sobre o Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército, o oficial afirmou que tinha “juízo suficiente para não entrar nessa polêmica.”
“Não vou entrar nessa área. O brigadeiro Saito [Juniti Saito, Comandante da Aeronáutica] terá o maior prazer de vir aqui e explicar. Eu não tenho conhecimento para isso e tenho juízo.”
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou ao presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), presença na próxima quarta-feira (16) para explicar pessoalmente a questão dos caças franceses.
Apesar de evitar qualquer comentário sobre a aquisição das aeronaves, o general Augusto Heleno, atualmente chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, destacou a necessidade de investimentos na formação profissional dos militares que vão operar qualquer aparelho militar adquirido pelo governo.
Ele citou, por exemplo, a compra pelo Brasil dos helicópteros militares, fundamentais para deslocamentos rápidos, na Amazônia, por exemplo. Nesse caso específico, o general argumentou a necessidade de junto com a compra de equipamentos sofisticados o governo garantir a presença de profissionais capacitados para treinar os soldados que irão operá-los.
“De repente eu compro esses helicópteros mas quem vai operá-los?”, questionou o militar. Ele afirmou que não adianta comprar as aeronaves, caso não se faça a preparação devida o que demanda tempo. Augusto Heleno destacou as dificuldades enfrentadas pelos militares venezuelanos para operar os caças russos Sukhoi-30, de avançada tecnologia.
O preparo das Forças Armadas brasileiras para enfrentar qualquer tentativa de invasão estrangeira na Amazônia foi outro tema tratado pelo general. Ele reconheceu que existe uma defasagem tecnológica brasileira em relação a outros países mas destacou o preparo dos militares que atuam na região.
“Nós temos os melhores combatentes de selva do mundo. A tecnologia funciona até entrar na selva. A partir dali a conversa é outra”, afirmou.
O general lamentou o alto índice de evasão de profissionais brasileiros especializados na área de desenvolvimento tecnológico, perdidos para a iniciativa privada internacional. Segundo ele, após a formação em instituições de ensino superior militares como o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), por exemplo, esses profissionais deixam a carreira desmotivados pelos salários e falta de investimentos.
Os recursos orçamentários previstos para aplicação neste ano na área de Ciência e Tecnologia do Exército foi o motivo da audiência pública na comissão do Senado. Em 2009, a previsão do governo é aplicar R$ 80 milhões no setor.
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