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Jefferson Dalmoro
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou ontem dois empréstimos no valor total de € 6 bilhões para reequipamento da Aeronáutica e para a construção de cinco submarinos, sendo um deles nuclear. A Aeronáutica vai ganhar 50 helicópteros construídos em parceria entre o Brasil e a França.
No Brasil há ainda um ranço, um preconceito contra equipar as Forças Armadas. Há um temor de que Exército, Marinha e Aeronáutica fortes irão tomar conta do país e destituir os demais poderes.
Isso é trauma que precisa de psicólogo. Forças Armadas fortes, com a crescente inserção do Brasil no mundo, é uma necessidade e não um luxo, muito menos um atentado à democracia.O fortalecimento das Forças Armadas é importante para a manutenção da soberania do país e para a ampliação da imagem de liderança que o Brasil tem e pretende ter cada vez mais na América Latina e entre países emergentes.
Desde meados dos anos 90 o Brasil vem ganhando projeção no cenário mundial. A estabilidade da economia, o crescimento do PIB, a diminuição das desigualdades, a participação no comércio internacional e a postura do país em organismos como a OMC colocaram o Brasil em posição de destaque ou de liderança em blocos como o G-20 (dos ricos), o G-20 (da OMC), o G-77, o Mercosul, a Unasul e os BRICs.
As grandes potências esperam muito do Brasil em todos estes grupos pela característica de moderação de nossa diplomacia ao longo dos séculos e também pela características de nossa democracia, com valores mais ocidentalizados, com eleições livres e sérias e instituições estáveis (embora ainda não totalmente confiáveis).
No post anterior chamei atenção para um texto do El País (publicado pelo UOL) que mostra o crescimento dos investimentos em armas pelos governos Sul-Americanos. Este é mais um motivo para que o país se equipe. Nossos vizinhos bolivianos e venezuelanos não são nada confiáveis, o Paraguai é um estado paralelo que não consegue se institucionalizar decentemente, há também a fronteira amazônica sempre preocupante. Hoje a fronteira mais tranquila é a que mais preocupou até metade do século XIX: com a Argentina.
Há ainda o pré-sal e a necessidade de proteção da nossa costa atlântica (por isso a importância de um submarino nuclear que pode ficar por muito tempo submerso).
Levando-se em conta uma das premissas realistas das Relações Internacionais de que um país se transforma em potência por três vias, preferencialmente conjugadas, que são a diplomacia, a economia e a força militar (é mais ou menos assim, se uma não funciona, usa-se a outra), fica claro que o Brasil precisa de forças armadas bem equipadas (e aí não são apenas armas, mas também treinamento e bons salários).
O Brasil não pode ficar em inferioridade em relação a países como a Venezuela, cujo presidente não se sabe até onde quer chegar e que é cheio de encrencas políticas e territoriais com seus vizinhos colombianos e guianenses.
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