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Agência USP

Nas últimas décadas, as forças armadas brasileiras têm intensificado sua presença na Amazônia. “De acordo com os militares, há tempos que a região é fruto da cobiça internacional por suas riquezas e recursos naturais”, diz a cientista política Adriana A. Marques.
Em sua pesquisa de doutorado na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a pesquisadora analisou o que a região representa aos militares brasileiros e a forma de intensificação da presença militar. Segundo ela, a partir da década de 1990, fica nítida a preocupação do Brasil com as fronteiras da Amazônia e com os países vizinhos localizados ao norte.Adriana lembra que a presença das forças armadas na região ficaram mais nítidas principalmente após o final da Guerra Fria, quando a grande ameaça era o comunismo, e o período inicial da redemocratização no Brasil.
“Com final do antagonismo entre os Estados Unidos e a então União Soviética, os militares brasileiros passaram a dar mais atenção ao seu entorno regional, à América do Sul”, descreve a cientista política. Foi justamente nesse momento que a presença das forças armadas ficaram mais evidentes.
“Vários outros eventos, como a Guerra das Malvinas, fizeram com que políticos e militares passassem a olhar com mais atenção para os países vizinhos. Entre Brasil e Argentina, por exemplo, houve algumas rivalidades”, conta, lembrando que, mais recentemente, “as atitudes dos governantes dos países fronteiriços daquela região também despertaram mais ainda a atenção para a Amazônia.”

Mais unidades Militares: presença marcante na Amazônia
A pesquisadora ressalta também que programas governamentais passaram a evidenciar a maior atenção à região.
Ela cita como exemplo o Projeto Calha Norte. Idealizado em 1985 durante o governo Sarney, a iniciativa já previa a ocupação militar de uma faixa do território nacional situada ao norte da Calha do Rio Solimões e do Rio Amazonas.
“Desde então, a transferência de unidades militares para a região tem sido constante. E há ainda planos de novas transferências”, conta Adriana.
Ela lembra também do Projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), na década de 1990, que foi elaborado com a finalidade de monitorar o espaço aéreo da Amazônia.
Além destas estratégias e projetos, Adriana conta que houve as transferências de unidades militares para a região.
“Até o final de minha pesquisa, em 2007, haviam cinco brigadas de infantaria de selva. Destas, três vieram transferidas de outras regiões do País”, conta. Ela reforça que as transferências ainda continuam e fazem parte dos planos militares de ocupação da região.

Técnicas de guerrilha
Além dos projetos e planos governamentais, os militares marcam sua presença na Amazônia utilizando-se de estratégias de resistência.
“Essas estratégias são baseadas em técnicas de guerrilha. Ou seja, o maior conhecimento da região permite que um possível inimigo seja derrotado pela persistência. Podemos tomar como exemplo claro disso a guerra do Vietnã, onde os soldados vietnamitas conseguiram derrotar o poderio norte-americano pela resistência”, compara a pesquisadora.Para realizar sua pesquisa, Adriana recorreu a uma extensa bibliografia militar e a monografias de cursos de academias militares, bem como a discursos de oficiais. Seu trabalho envolveu as três forças armadas: exército, marinha e aeronáutica. Como conta a pesquisadora, o exército tem uma presença mais forte em relação às outras forças. A marinha, mesmo tendo na região um distrito naval desde 1933, somente no ano de 2005 inauguraram o 9º Distrito Naval.
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