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Leia esta notícia do G1. Comento mais abaixo.

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República divulgou nota nesta sexta-feira (21) informando que não há como fornecer imagens do circuito interno de vídeo do Palácio do Planalto para checar se a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, esteve no prédio em dezembro passado para uma audiência com a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
O pedido de acesso às imagens foi encaminhado ao GSI nesta quinta-feira (20) pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), atendendo a pedido do líder do Democratas, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). O deputado quer ter acesso a vídeos do circuito interno, registro de carros que estiveram no local e cópia da agenda de compromissos.
O objetivo é provar que a ex-secretária da Receita fala a verdade quando diz que esteve no gabinete da ministra no final do ano passado em uma reunião em que, segundo Lina, Dilma pediu para que ela “agilizasse” a investigação sobre empresas da família Sarney. A ministra nega que o encontro tenha ocorrido. Lina reafirmou em depoimento no Senado na última terça-feira (18) que esteve com a ministra.
Segundo o GSI, pelo contrato de segurança assinado em 2004, o período médio de armazenamento das imagens registradas no Palácio do Planalto é de 30 dias. Segundo a nota, as câmeras são acionadas por sensores de movimento. Quando a capacidade de armazenamento do HD (disco rígido) se esgota, novas imagens substituem as antigas.
“Desse modo, não mais existem as imagens relativas aos meses de novembro de dezembro de 2008″, diz o GSI. Segundo o GSI, também não há registros de entrada de veículos que transportam autoridades que entram pela garagem do Palácio do Planalto. “Com relação ao ingresso de veículos, após reconhecidos, [eles] não têm suas placas anotadas”, diz a nota do governo.
O GSI informa também que não são feitos registros de autoridades que chegam pela garagem do Palácio Planalto. O governo explica que no caso “das pessoas com audiências previamente agendadas, os convidados são identificados e credenciados”. Mas não são registrados em nenhum livro ou planilha de computador.
“No caso de audiências sem agendamento prévio, feita a identificação dos convidados, os gabinetes das autoridades são consultados, oportunidade em que, após credenciamento, é autorizado seu ingresso”, diz a nota do GSI. Também nesses casos, não ficam registrados os dados dos visitantes.
Portanto, mesmo que a secretária esteja falando a verdade, não é possível atestar isso por meio dos registros feito nos visitantes do Palácio do Planalto que entram pela garagem.
“Nos registros existentes, correspondentes aos meses de novembro e dezembro de 2008, não foi encontrado o nome da ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira”, conclui a nota. O procedimento normal é fazer os registros apenas de pessoas que acompanham os convidados, mas que não participam diretamente da audiência.

Jeferson Ribeiro – G1

Comento:

Nos meus longos anos de Exército, nunca vi a guarnição de um quartel, por menor que este fosse, por mais distante, inóspito mesmo, que pudesse ser, de um paiol de munições perdido em meio às coxilhas à guarda de uma vila militar na margem de um rio da Amazônia, nunca vi, repito, uma guarnição qualquer, mesmo básica, de um cabo e três soldados, não ter seus registros de entrada e saída de viaturas e de pessoas.
Em algum livro sebento, lá estavam as anotações: dia tal, viatura tal, entrada tal hora, saída tal hora. Fulano de tal, entrada tal hora, saída tal hora.
E aqueles dados eram guardados por anos, muitas vezes décadas, mesmo porque haviam rígidas normas para sua destruição.
Lembrei dos velhos livros do pessoal de serviço quando li a nota do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, informando que não há imagens nem registros escritos das entradas e saídas de pessoas e carros no Palácio do Planalto ocorridas em novembro e dezembro de 2008, incluída aí, claro, a suposta visita da então Secretaria da Receita Federal Lina Vieira à Ministra Dilma Roussef.
Das duas uma: ou bem a informação é verdadeira, o que escancara uma incompetência descomunal, ou bem ela é falsa e os registros foram apagados às pressas ou estão sendo sonegados, o que revela a que ponto chega o servilismo que assola certos setores do Governo Federal.
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