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Ricardo Montedo
Não tem jeito. Não é partidarismo, não é minha antipatia crônica ao PT, não é minha posição crítica ao Governo Lula, não é nada disso.
É uma pulga. A danada de uma pulga que se instalou atrás de minha orelha (direita) e não para de me buzinar que tem algo de errado nessa história das denúncias sistemáticas contra a Governadora Yeda Crusius.
A corrente é avassaladora, eu sei, mas, justamente nessas ocasiões, é conveniente pôr-se a salvo na margem e esperar para ver o que sobrevive em meio ao lodaçal que ficará depois da enxurrada.
A pulga me segreda que a água só baixa depois de outubro (do ano que vem, claro) e que de toda essa lama surgirá a verdade sobre algumas versões, hoje travestidas em fatos, independentemente de o serem ou não.
Está claro que o jogo disputado hoje visa à sucessão de Yeda. Mais, é evidente que o objetivo primeiro foi conseguido: está totalmente inviabilizada a reeleição da governadora que, pelo andar da carruagem, não deverá nem se arriscar numa candidatura.
Nem por isso deve-se fugir de uma análise mais acurada dos fatos.Vamos à ela.
– A corrupção no DETRAN vem desde 1999, no Governo Olívio Dutra, com a contratação da FINAC e da ONG Rua Viva, além de um convênio de locação de veículos com a FENASEG, que resultou num processo que tramita na 4ª Vara da Fazenda Pública do TJ/RS, onde aparecem como réus os petistas Mauri Cruz, Flávio Maia, Inês Teixeira, Renato Rohden, Nazareno Afonso e Luiz Lima.
– O procedimento criminoso, com troca de personagens e empresas contratadas, prosseguiu durante todo o Governo Rigotto e avançou até o primeiro ano do Governo Yeda, que foi quem tomou providências efetivas para estancá-lo, como de fato o fez; Entretanto, a investigação se concentra nos onze primeiros meses do mandato da tucana, deixando de lado os oito anos e os dois governos anteriores. POR QUÊ?
– O CPERS promove uma campanha sistemática de difamação contra Yeda desde o primeiro minuto de seu governo, culminando com o covarde episódio do cerco à casa da Governadora.
– O comando do CPERS hoje é compartilhado pelos petistas de sempre mais o PSTU e o PSOL, o partido de Luciana Genro, aquela deputada que, há alguns anos, comandou a invasão do plenário da Assembléia Legislativa do RS e filha do único candidato confirmado à sucessão de Yeda, Tarso Genro.
Tarso Genro é o Ministro da Justiça, chefe máximo da Polícia Federal, responsável pelo inquérito e está em plena campanha para o governo do estado, como atestam suas sistemáticas peregrinações de final de semana pelo interior, faturando eleitoralmente em cima de obras, melhorias e programas de segurança pública que são realizações do governo, não suas.
– Tudo o que tem sido apresentado até aqui, reprisado periódica e sistematicamente pela RBS, PSOL e, agora, pelo MPF, carece de maior densidade, pois se baseia em gravações de conversas entre um picareta notório, Lair Ferst e um desequilibrado, Marcelo Cavalcante, morto em circunstâncias ainda não esclarecidas. O objetivo inicial de tais gravações era a chantagem contra o governo. Como não deu certo, Lair, secundado pela “viúva” de Marcelo, Magda Koenigan, tratou de apresentá-las aos promotores, à guisa de delação premiada.
A RBS não dá a menor pelota ao caso escabroso em que Paulo Salazar, ex-tesoureiro da Democracia Socialista (corrente do PT), denuncia os deputados Raul Pont e Elvino Bonh Gass pelo uso de diárias frias, caixa dois e lavagem de dinheiro. Existe um requerimento na AL para a convocação de Salazar, engavetado pelo petista Fabiano Pereira, presidente da Comissão de Serviços Públicos. O “escabroso “ fica por conta de que a principal testemunha de Salazar, Milton Kruger, foi executado em Canoas com cinco tiros, dias antes de seu depoimento à Assembléia.
Ficou evidente a sintonia fina entre os responsáveis pelo evento de Santa Maria e as forças políticas que pugnam pela derrubada de Yeda, pois, antes mesmo do término da entrevista, um grupo organizado já se manifestava em frente ao Piratini, enquanto outro se dirigia à Assembléia Legislativa, para entregar um requerimento de impeachment baseado em informações de posse do MPF, até ali, tratadas como sigilosas. Se instruíram o pedido de impeachment, houve quebra do segredo de justiça, antes que o processo chegasse às mãos da juíza Simone Barbisan.
A intenção dos jovens promotores, demonstrada no espetáculo midiático montado em Santa Maria, é bem expressa na promessa de um deles, de que “não haverá moleza para esses réus!” Quer dizer que, para outros réus, que não esses, haverá moleza, Excelência?
– A atuação do MPF tem dado grande contribuição ao país, principalmente a partir da Constituição de 1988. Porém, convém não esquecer os valentes Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb, que perseguiram, desmoralizaram e baniram da vida pública o ex-Secretário Geral de FHC, Eduardo Jorge, sempre muito bem municiados pelos então impolutos José Dirceu, Waldomiro Diniz et caterva. Provada a inocência de Eduardo Jorge, ambos foram condenados recentemente pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), por perseguição.
Enfim, os alvos da orquestração são conhecidos, os beneficiários, também. Agora, é só esperar a enxurrada baixar, o lodaçal secar e observar o que dele brotará.
Quem viver, verá, sussurra a danada da pulga. Que assim seja!

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