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Camponeses que colaboraram com a repressão à guerrilha afirmam que foram obrigados a trabalhar para os militares.
Pessoas ligadas ao Exército e à esquerda atribuem relatos dos ex-guias à busca por indenizações concedidas pela Comissão de Anistia
De Pedro Dias Leite:
Quase 35 anos depois do fim da guerrilha do Araguaia (1972-1975), um dilema ainda paira sobre os mateiros que guiaram o Exército na caça aos militantes da luta armada: torturados ou traidores?
A discussão voltou à tona nas últimas semanas, com a participação crucial desses mateiros para indicar onde podem estar as ossadas de quase 60 guerrilheiros jamais encontrados, mortos no que o povo da região chama de “a guerra”. Até hoje, apenas dois foram achados e reconhecidos. Em muitas das atuais buscas, são os mateiros que contam o que presenciaram e dão indicações sobre possíveis locais de enterro.
Nas décadas que se seguiram ao conflito, os mateiros mantiveram relação próxima com os militares que exterminaram a guerrilha, o que alimentou a imagem de aliados da ditadura. De colaboradores dos guerrilheiros quando os militantes de extrema esquerda chegaram à região, passaram a ficar a serviço das Forças Armadas.
Agora, apesar de não negarem os vínculos com os militares, começam a contar uma outra parte dessa história -a tortura que os levou a mudar de lado. “O “pessoal da mata” [a guerrilha] era meu amigo. Eu não ia fazer se não fosse obrigado. No começo dei muita comida. Depois, não teve jeito, a gente não tinha outra escolha”, conta o mateiro Severino Antonio da Silva, o Severinão, 85 anos.
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