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Patrícia França
Em 1972, quando foi iniciada a primeira operação de repressão à Guerrilha do Araguaia, que durou três anos, as Forças Armadas já tinham identificado quase todos os guerrilheiros militantes do PC do B. Dos 69 com batentes do movimento de oposição ao regime militar, apenas cinco ainda mantinham a identidade desconhecida para os militares. O dado, que consta do Relatório Especial de Informações nº 1/74, elaborado pelo Centro de Informações do Exército (CIE), ao qual A TARDE teve acesso, só recentemente veio a público, depois de mais de 30 anos do fim da guerrilha nas selvas dos estados do Pará e Tocantins.
Isso demonstra que um farto material da época – que deveria estar em posse de órgãos públicos – repousa em arquivos pessoais ou estão perdidos em porões da burocracia. Razão pela qual familiares de guerrilheiros mortos e desaparecidos ainda lutam para abrir os arquivos daqueles tempos sombrios, e saber as circunstâncias em que se deram as execuções e as torturas dos militantes.
O documento do CIE visava dar conhecimento aos organismos envolvidos nas operações militares do andamento da “Operação Marajoara” – a última das três operações antiguerrilha comandada pelo então major Sebastião Curió, que tinha ordem para “executar o inimigo”. Em relato recente, o hoje tenente-coronel da reserva revelou que pelo menos 41 guerrilheiros foram mortos no Araguaia, mesmo quando já não ofereciam nenhum perigo aos militares.
Cópia do relatório foi entregue a A TARDE pela economista Luzia Ribeiro, única sobrevivente entre os 11 guerrilheiros baianos que participaram da Guerrilha do Araguaia. Presa e torturada em Xambioá (TO), onde ficava o principal acampamento das Forças Armadas, Luzia (codinome “Lúcia”) recebeu a cópia dos jornalistas Eumano Silva e Tais Morais (autores do livro Operação Araguaia). O documento pertencia ao pai de Tais, ex-oficial do Exército que participou do combate aos guerrilheiros. Leia mais.
A TARDE

(Nota do editor: a campanha das Forças Armadas contra os guerrilheiros do PC do B no Araguaia, em 1972, foi a terceira e última, e não a primeira como escreve a repórter)
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