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A divulgação da nota da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos questionando o grupo de trabalho criado pelo Ministério da Defesa, para tentar encontrar vestígios dos mortos na Guerrilha do Araguaia, causou surpresa e irritação entre os militares pelo seu uso político. Primeiro, pelo atraso com que a queixa está sendo apresentada – quase dois meses depois da publicação do ato que criou o GT – e, segundo, pelo uso do que chamam de oportunismo político da iniciativa, que se aproveita da divulgação de arquivos do oficial da reserva Sebastião Curió para tentar criar nova polêmica com os militares sobre o tema, principalmente porque, o convite aos familiares já havia sido feito pelo ministério da Defesa, há quase 20 dias. Embora nas Forças Armadas oficiais lembrem que o grupo não foi criado por iniciativa do Executivo, mas sim para cumprir uma determinação judicial, que determinou sua composição, o Ministério da Defesa informou, por meio de nota, que os familiares dos mortos, por iniciativa do ministro Nelson Jobim, já foram convidados, “no dia três de junho, em reunião, da qual participaram 14 integrantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, entre eles, o presidente da Comissão, Marco Antonio Rodrigues Barbosa”, que redige a nota com a reclamação. A Defesa lembra ainda que a portaria da Defesa já prevê a participação dos Governos do Estado do Pará e do Distrito Federal como membros permanentes do grupo, além de outros órgãos e entidades. “Já foram convidados a compor o grupo responsável pelos trabalhos técnicos peritos da Polícia Federal das áreas de geologia, medicina legal e odontologia, antropólogos do Museu Emílio Goeldi (vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia), bem como peritos da Polícia Civil do Distrito Federal das áreas de medicina legal, antropologia forense e pesquisa forense de DNA”, prossegue a nota. Sobre a divulgação dos arquivos de Curió, há diferentes tipos de opiniões entre militares que integram a cúpula das Forças Armadas. Mas todos são unânimes em insistir na tese que o Exército não tem documentos guardados para serem entregues, embora todos também reconheçam que, a exemplo de Curió, muitos outros militares levaram para suas casas documentos históricos. Entre as opiniões sobre o que foi divulgado por Curió, há oficiais que entendem que quanto mais se abrir, quanto maior for o esforço para se descobrir alguma coisa, melhor porque será mais um caminho para se encerrar de uma vez por todas a polêmica Há, no entanto, os que acham que isso só serve para “alimentar” a esquerda e até mesmo incentivar os que insistem que é preciso reabrir as questões do passado, inclusive falando em revisão da anistia. Mas os militares são unânimes também em avisar que não aceitarão, em hipótese alguma, que se revise a Lei de Anistia, como chegou a ser aventado por integrantes do Ministério Público Eles insistem que os crimes já estão prescritos e que não há motivos para que sejam reabertos os casos.(AE)Jornal Cruzeiro do Sul

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